Autor Tópico: DAB+ em Portugal  (Lida 91198 vezes)

ruicleto

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 1250
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #360 em: Dezembro 05, 2025, 10:43:41 am »
Não sei se a Observador não terá vontade. Pelo que sei, é mesmo das mais interessadas no assunto. Mas só Observador e RTP é curto para lançar o DAB. Pelo que, até que haja um consenso, é isto que temos

A RTP com todos os seus canais e a Observador (com a enorme possibilidade de ter uma cobertura nacional), seria um bom "pontapé de saída", "obrigando" os outros a seguirem o exemplo, sob risco de começarem a ter menores ouvintes dada a enorme qualidade e redução de custos que o DAB+ proporcionaria.

O argumento da redução de custos só é válido a longo prazo, dado que os custos iniciais da operação em DAB+ serão sempre elevados. Quanto mais não seja pela necessidade técnica de instalar mais umas dezenas de emissores novos, para assegurar uma cobertura semelhante ou até superior à da rede FM. No DAB+, esqueçam o emissor da Lousã a fazer-se ouvir bem a 160km de distância ou o da Fóia (Serra de Monchique) a mais de 120 km. As emissões digitais DAB+ conseguem atingir,  no máximo,  uns 100 km ou pouco mais de 100 km.Isto em condições muito favoráveis. Na prática, e sobretudo se se quiser ter uma rede SFN, vai ser necessário garantir que os sinais cheguem dentro do chamado intervalo de guarda, e isso exige que os emissores estejam relativamente próximos (no máximo algumas dezenas de km) do local de recepção. Caso contrário, os sinais interferem-se entre si de forma destrutiva (em Portugal as pessoas sabem quão mal correram as coisas no início das emissões da TDT...).

Os custos iniciais são sempre mais elevados em todas tecnologias. Mas no DAB+ o custo é repartido por várias rádios, logo o custo é relativamente baixo.

A questão do intervalo de guarda é válida. Mas se alguém ainda julga que o problema com o sinal da TDT foi o intervalo de guarda está redondamente enganado! O grande problema foi a instabilidade da rede causada pela receção de múltiplos emissores com variação continua do sinal e os recetores a comutarem continuamente. A rede TDT não foi bem planeada, basta recordar o número de alterações que a MEO realizou. O DAB+ está a funcionar bem nos outros países e pode funcionar bem no nosso!

Quanto ao alcance, tendo em conta a banda de operação, teoricamente poderá ser inferior ao FM. Mas o DAB+ pode ser recebido perfeitamente a mais de 100Km em condições normais, há testemunhos disso. O que afeta a receção (e muito) não é apenas a intensidade do sinal mas também a presença ou ausência de interferentes. No FM a maioria das rádios é mais ou menos afetada por interferências de outras rádios. No DAB+ em principio não haverá esse problema. Poderá haver outros, mas isso depende muito da qualidade (planeamento) da rede. De qualquer forma qual o interesse de receber a Lousã a 160Km se se pode captar as mesmas rádios de um emissor mais próximo?

Mas nem sequer sabemos que tipo de rede seria instalada. Como eu chamei a atenção, o Sec. de Estado falou em dois muxes e não em dois emissores. Pode dar-se o caso de se utilizarem redes regionais.

O DAB+ já está validado por muito países. Creio seria mais importante discutir o porquê de terem ser prometidas emissões para «muito em breve» e ainda nada estar em andamento.

Recordo que é o mesmo governo que prometeu e está em funções executivas. Contudo, a "pasta" mudou de ministério, o que nada justifica qualquer atraso. Mesmo a RTP, nada diz e a provedora não consegue produzir qualquer efeito, limitando-se a comentar como se os contribuintes nada tivessem a contribuir financeiramente... mais um caso português (semelhante à pobre TDT) desolador e desprestigiante em relação a outros países europeus, alguns deles porventura com menos possibilidades económicas do que o nosso.

Yagi

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 57
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #361 em: Dezembro 05, 2025, 01:28:45 pm »
Não sei se a Observador não terá vontade. Pelo que sei, é mesmo das mais interessadas no assunto. Mas só Observador e RTP é curto para lançar o DAB. Pelo que, até que haja um consenso, é isto que temos

A RTP com todos os seus canais e a Observador (com a enorme possibilidade de ter uma cobertura nacional), seria um bom "pontapé de saída", "obrigando" os outros a seguirem o exemplo, sob risco de começarem a ter menores ouvintes dada a enorme qualidade e redução de custos que o DAB+ proporcionaria.

O argumento da redução de custos só é válido a longo prazo, dado que os custos iniciais da operação em DAB+ serão sempre elevados. Quanto mais não seja pela necessidade técnica de instalar mais umas dezenas de emissores novos, para assegurar uma cobertura semelhante ou até superior à da rede FM. No DAB+, esqueçam o emissor da Lousã a fazer-se ouvir bem a 160km de distância ou o da Fóia (Serra de Monchique) a mais de 120 km. As emissões digitais DAB+ conseguem atingir,  no máximo,  uns 100 km ou pouco mais de 100 km.Isto em condições muito favoráveis. Na prática, e sobretudo se se quiser ter uma rede SFN, vai ser necessário garantir que os sinais cheguem dentro do chamado intervalo de guarda, e isso exige que os emissores estejam relativamente próximos (no máximo algumas dezenas de km) do local de recepção. Caso contrário, os sinais interferem-se entre si de forma destrutiva (em Portugal as pessoas sabem quão mal correram as coisas no início das emissões da TDT...).

Os custos iniciais são sempre mais elevados em todas tecnologias. Mas no DAB+ o custo é repartido por várias rádios, logo o custo é relativamente baixo.

A questão do intervalo de guarda é válida. Mas se alguém ainda julga que o problema com o sinal da TDT foi o intervalo de guarda está redondamente enganado! O grande problema foi a instabilidade da rede causada pela receção de múltiplos emissores com variação continua do sinal e os recetores a comutarem continuamente. A rede TDT não foi bem planeada, basta recordar o número de alterações que a MEO realizou. O DAB+ está a funcionar bem nos outros países e pode funcionar bem no nosso!

Quanto ao alcance, tendo em conta a banda de operação, teoricamente poderá ser inferior ao FM. Mas o DAB+ pode ser recebido perfeitamente a mais de 100Km em condições normais, há testemunhos disso. O que afeta a receção (e muito) não é apenas a intensidade do sinal mas também a presença ou ausência de interferentes. No FM a maioria das rádios é mais ou menos afetada por interferências de outras rádios. No DAB+ em principio não haverá esse problema. Poderá haver outros, mas isso depende muito da qualidade (planeamento) da rede. De qualquer forma qual o interesse de receber a Lousã a 160Km se se pode captar as mesmas rádios de um emissor mais próximo?

Mas nem sequer sabemos que tipo de rede seria instalada. Como eu chamei a atenção, o Sec. de Estado falou em dois muxes e não em dois emissores. Pode dar-se o caso de se utilizarem redes regionais.

O DAB+ já está validado por muito países. Creio seria mais importante discutir o porquê de terem ser prometidas emissões para «muito em breve» e ainda nada estar em andamento.

Recordo que é o mesmo governo que prometeu e está em funções executivas. Contudo, a "pasta" mudou de ministério, o que nada justifica qualquer atraso. Mesmo a RTP, nada diz e a provedora não consegue produzir qualquer efeito, limitando-se a comentar como se os contribuintes nada tivessem a contribuir financeiramente... mais um caso português (semelhante à pobre TDT) desolador e desprestigiante em relação a outros países europeus, alguns deles porventura com menos possibilidades económicas do que o nosso.

Amanhã darei notícias.

pdnf

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 7774
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #362 em: Dezembro 05, 2025, 11:30:21 pm »
Amanhã darei notícias.
Tenho a vaga sensação que vão estar relacionadas com a reprogramação do P2030 que tinha de ser apresentada até 25/12 à Comissão Europeia, mas que o Governo já entregou na semana passada. É só um feeling...

Quanto à questão do intervalo de guarda, eu não excluiria que esse problema seja mais significativo na rádio que na TV. Ninguém anda com uma TV em movimento, portanto, a antena virava-se para o emissor que estivesse mais próximo. E, mesmo assim, estando eu a 3km em linha reta e com vista para o Monte da Virgem, depois da migração, recordo-me de no Verão, em dias de muito calor, ter muitas interferências, a imagem ficar toda pixelizada, e começar a entrarem outros sinais no canal. Na altura não percebia, hoje, desconfio que se tratasse de propagação troposférica.

Aqui por Gaia, a RTP1 era particularmente afetada, recordo-me disso perfeitamente, havia dias em que só se conseguia ver em condições a TVI. Ao fim de um ano de TDT, e o meu prédio esteve quase 6 meses sem antena que permitisse receber o sinal, o meu pai cedeu e aceitou pagar por TV,  basicamente para vermos os canais nacionais. Sinceramente, ainda hoje, se os canais de notícias estivessem na TDT, provavelmente não teria TV, apenas pelos outros canais, que não acrescentam nada ao streaming.

Mas, voltando ao intervalo de guarda, imagino que a questão seja mais ao menos esta: todos reconhecemos que, por exemplo, emissores na Serra do Arestal são inúteis, se calhar, em DAB+ serão necessários Imagino eu, que seja um pouco o que acontece no Porto, Muro quase que liga com a Lousã, mas fica mesmo pelo quase. Ligar até liga, como se vê quando algum do Monte da Virgem desliga, mas com algumas pipocas. Em DAB+, pelo que percebi, quando o sinal se perde, perde-se mesmo. Isto irá obrigar, necessariamente, a maior capilaridade e, confesso o meu receio, a problemas em concelhos mais serranos.
« Última modificação: Dezembro 05, 2025, 11:34:01 pm por pdnf »
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

Yagi

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 57
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #363 em: Dezembro 06, 2025, 11:25:55 am »
Amanhã darei notícias.
Tenho a vaga sensação que vão estar relacionadas com a reprogramação do P2030 que tinha de ser apresentada até 25/12 à Comissão Europeia, mas que o Governo já entregou na semana passada. É só um feeling...

Quanto à questão do intervalo de guarda, eu não excluiria que esse problema seja mais significativo na rádio que na TV. Ninguém anda com uma TV em movimento, portanto, a antena virava-se para o emissor que estivesse mais próximo. E, mesmo assim, estando eu a 3km em linha reta e com vista para o Monte da Virgem, depois da migração, recordo-me de no Verão, em dias de muito calor, ter muitas interferências, a imagem ficar toda pixelizada, e começar a entrarem outros sinais no canal. Na altura não percebia, hoje, desconfio que se tratasse de propagação troposférica.

Aqui por Gaia, a RTP1 era particularmente afetada, recordo-me disso perfeitamente, havia dias em que só se conseguia ver em condições a TVI. Ao fim de um ano de TDT, e o meu prédio esteve quase 6 meses sem antena que permitisse receber o sinal, o meu pai cedeu e aceitou pagar por TV,  basicamente para vermos os canais nacionais. Sinceramente, ainda hoje, se os canais de notícias estivessem na TDT, provavelmente não teria TV, apenas pelos outros canais, que não acrescentam nada ao streaming.

Mas, voltando ao intervalo de guarda, imagino que a questão seja mais ao menos esta: todos reconhecemos que, por exemplo, emissores na Serra do Arestal são inúteis, se calhar, em DAB+ serão necessários Imagino eu, que seja um pouco o que acontece no Porto, Muro quase que liga com a Lousã, mas fica mesmo pelo quase. Ligar até liga, como se vê quando algum do Monte da Virgem desliga, mas com algumas pipocas. Em DAB+, pelo que percebi, quando o sinal se perde, perde-se mesmo. Isto irá obrigar, necessariamente, a maior capilaridade e, confesso o meu receio, a problemas em concelhos mais serranos.

Presumo que se refira à TV analógica. Era muito afetada por emissores espanhóis. Recebia a RTP1 no canal 9 e sobretudo a TVI no 44 e por vezes o sinal espanhol era tão forte que se sobrepunha ao nacional.

A 3km do Monte da Virgem provavelmente, apesar da proximidade a intensidade do sinal até pode ser mais baixa devido ao efeito sombra. A PT mais tarde instalou um emissor TDT em Gaia.

Quanto ao DAB+ só simulações podem dizer se vão ser necessários mais ou menos emissores do que no FM. No Arestal, quase de certeza.

Yagi

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 57
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #364 em: Dezembro 06, 2025, 11:28:06 am »

ruicleto

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 1250
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #365 em: Dezembro 06, 2025, 12:47:23 pm »
Tal como referiu pdnf - "confesso o meu receio, a problemas em concelhos mais serranos.", comento apenas que a Suíça tem já uma boa rede DAB+ e está a desligar, paulatinamente, emissores em FM. Serra mais serrana certamente não haverá...

ruicleto

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 1250
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #366 em: Dezembro 06, 2025, 12:58:22 pm »
Os meus pensamentos a respeito da situação:
https://dabportugal.blogspot.com/2025/12/governo-desistiu-da-radio-digital.html

Li com muita atenção o artigo publicado no blogue e só tenho um comentário: EXCELENTE!

modernices

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 509
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #367 em: Dezembro 06, 2025, 07:27:32 pm »
A APR tem sido o maior entrave a que isto avance qual velho do Restelo. Basta olhar para o desgraçado do presidente da associação. Uma pessoa atrasada, sem formação e umbiguista. Tirem essa gente da frente antes que seja tarde.

joao_s

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 991
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #368 em: Dezembro 06, 2025, 07:39:55 pm »
“modernices”, aqui no Ribatejo gostaríamos de ter um retransmissor DAB+ da rádio espanhola, como tivemos na década de 80 da TVE1, com adesão massiva na altura. Toda a gente orientava as antenas de TV para Fazendas de Almeirim (local onde se encontrava o retransmissor).

O que se passa em Portugal com o DAB+ é um atestado de nulidade completa dos decisores, que prejudica a rádio portuguesa e nós, cidadãos.

Luisf662

  • Sr. Member
  • ****
  • Mensagens: 141
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #369 em: Dezembro 06, 2025, 09:25:03 pm »
“modernices”, aqui no Ribatejo gostaríamos de ter um retransmissor DAB+ da rádio espanhola, como tivemos na década de 80 da TVE1, com adesão massiva na altura. Toda a gente orientava as antenas de TV para Fazendas de Almeirim (local onde se encontrava o retransmissor).

O que se passa em Portugal com o DAB+ é um atestado de nulidade completa dos decisores, que prejudica a rádio portuguesa e nós, cidadãos.
Isso é que era estender-se a rede DAB+ e TDT de Espanha aqui para Portugal ficava muito mais bem servido e não éramos obrigados a pagar todos os meses para ver televisão e ouvir radio digital.

Enviado do meu Redmi 7 através do Tapatalk


Memorias da Radio

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 4589
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #370 em: Dezembro 08, 2025, 09:53:12 pm »
Esqueçam o SFN para isto. Não temos orografia para justificar um SFN em condições. Isto de fazer chegar sinais dentro do "intervalo de guarda" quando não se consegue contrariar a propagação e as esporádicas, quando temos todo um espectro disponível, não faz qualquer sentido de um ponto de vista técnico. Tem que ser em MFN, no mínimo com 2/3 frequências entre si: um bloco para as nacionais, outro para as regionais, outro para as locais e comunitárias.

Aliás, um SFN vai contrariar a óbvia lógica que tem que imperar para isto, que é a do mercado. E o mercado só se faz em MFN. Em SFN, lamento, é só para beneficiar os interesses que atualmente existem.

Chega de haver intermediários a "comer" aos 250 e aos 500 mil euros de cada vez que uma rádio troca de mãos. Se esse dinheiro fosse investido no DAB+ e fosse investido em projetos de rádio não tinhamos só uma rádio mais resiliente, tinhamos mais tempo os projetos a sobreviver e toda a gente ganhava melhor, não havia esta anemia. O tema do custo do DAB+ é uma falácia do espantalho - fala-se no custo que é implementar um projeto desses e não se aborda o problema central de se dar dinheiro a quem nem o devia receber sequer em primeira instância, frequentemente 10x mais que o custo de qualquer emissor completo?! Mas agora invertemos as prioridades neste país ou quê?

O que não há é coragem do poder político para meter o audiovisual na ordem. Outra vez! Preocupa-se mais em gerir o que está, e em fazer a coisa o mais neutral e benéfica possível, em vez de assumir opiniões e execução.

A ideia alegada de que a R/Com está contra isto, se eles a têm, é uma ideia peregrina, conservadorista e que em nada está em linha com a realidade. A Marktest não faz acumuladas de véspera às frequências, faz audiência de escuta anunciada e à marca - e ao produto. Se querem evitar perdas para a concorrência, fazem como chegaram a fazer nos anos 80/90: apresentam um produto muito bom, um som excelente e que se destaque, e siga para bingo. Quem ouve e está fidelizado - e são muitos - vai continuar a ouvir.

Pela minha parte, e apesar de achar que a necessidade do DAB+ não é assim tanta, farei por escrever a quem de direito esta semana. Têm que ver se acordam. Faz sentido que haja neste momento em 5 sítios: Monsanto, Montejunto, Lousã, Monte da Virgem e Sameiro/Muro, onde está 80% do país. De resto é bastante mais secundário e o FM tem frequentemente bom espectro disponível, será para se ir fazendo a integração. Conforme já escrevi, o ideal seria ainda assentar no online, mas algum tipo de propagação no terreno, reconheço, tem que ser mantida.

Isto também deve acompanhar uma mudança de legislação na Lei da Rádio e idealmente uma mudança na medição de audiências para algo que não seja anacrónico - o tempo real. Supostamente a nova LDR estava prometida até Março de 2026 (se bem me lembro?).
« Última modificação: Dezembro 08, 2025, 09:58:51 pm por Memorias da Radio »

ruicleto

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 1250
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #371 em: Dezembro 09, 2025, 09:24:46 am »
Esqueçam o SFN para isto. Não temos orografia para justificar um SFN em condições. Isto de fazer chegar sinais dentro do "intervalo de guarda" quando não se consegue contrariar a propagação e as esporádicas, quando temos todo um espectro disponível, não faz qualquer sentido de um ponto de vista técnico. Tem que ser em MFN, no mínimo com 2/3 frequências entre si: um bloco para as nacionais, outro para as regionais, outro para as locais e comunitárias.

Aliás, um SFN vai contrariar a óbvia lógica que tem que imperar para isto, que é a do mercado. E o mercado só se faz em MFN. Em SFN, lamento, é só para beneficiar os interesses que atualmente existem.

Chega de haver intermediários a "comer" aos 250 e aos 500 mil euros de cada vez que uma rádio troca de mãos. Se esse dinheiro fosse investido no DAB+ e fosse investido em projetos de rádio não tinhamos só uma rádio mais resiliente, tinhamos mais tempo os projetos a sobreviver e toda a gente ganhava melhor, não havia esta anemia. O tema do custo do DAB+ é uma falácia do espantalho - fala-se no custo que é implementar um projeto desses e não se aborda o problema central de se dar dinheiro a quem nem o devia receber sequer em primeira instância, frequentemente 10x mais que o custo de qualquer emissor completo?! Mas agora invertemos as prioridades neste país ou quê?

O que não há é coragem do poder político para meter o audiovisual na ordem. Outra vez! Preocupa-se mais em gerir o que está, e em fazer a coisa o mais neutral e benéfica possível, em vez de assumir opiniões e execução.

A ideia alegada de que a R/Com está contra isto, se eles a têm, é uma ideia peregrina, conservadorista e que em nada está em linha com a realidade. A Marktest não faz acumuladas de véspera às frequências, faz audiência de escuta anunciada e à marca - e ao produto. Se querem evitar perdas para a concorrência, fazem como chegaram a fazer nos anos 80/90: apresentam um produto muito bom, um som excelente e que se destaque, e siga para bingo. Quem ouve e está fidelizado - e são muitos - vai continuar a ouvir.

Pela minha parte, e apesar de achar que a necessidade do DAB+ não é assim tanta, farei por escrever a quem de direito esta semana. Têm que ver se acordam. Faz sentido que haja neste momento em 5 sítios: Monsanto, Montejunto, Lousã, Monte da Virgem e Sameiro/Muro, onde está 80% do país. De resto é bastante mais secundário e o FM tem frequentemente bom espectro disponível, será para se ir fazendo a integração. Conforme já escrevi, o ideal seria ainda assentar no online, mas algum tipo de propagação no terreno, reconheço, tem que ser mantida.

Isto também deve acompanhar uma mudança de legislação na Lei da Rádio e idealmente uma mudança na medição de audiências para algo que não seja anacrónico - o tempo real. Supostamente a nova LDR estava prometida até Março de 2026 (se bem me lembro?).

Apenas discordo, totalmente, da afirmação "apesar de achar que a necessidade do DAB+ não é assim tanta", bastando dar uma olhadela ao blogue de YAGI, designadamente no excecional artigo disponível em: https://dabportugal.blogspot.com/2025/12/governo-desistiu-da-radio-digital.html

joao_s

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 991
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #372 em: Dezembro 14, 2025, 05:25:48 pm »
“Yagi”, quantas n redes DAB+ podiam ser implementadas em Portugal continental e insular (todo o território) com as verbas investidas em retransmissores locais, de cobertura limitada, não pertencentes a uma infraestrutura planeada de raiz para a melhor otimização, que não resolve a situação de distribuição de sinal para todo o território?

Temos vindo a assistir nos últimos 15 anos a uma aposta forte e crescente dos países europeus na tecnologia digital terrestre para distribuição de sinal de rádio. Por cá investe-se na tecnologia analógica FM, de 1934 (portanto, “ultra-sofisticada”), sem sequer ser desenhada como infraestrutura para todo o território e sem atender (dar resposta) às demandas do setor. Remendos, uns atrás dos outros com custos elevados e múltiplas contrariedades, sem resolver o problema do território como um todo.

Recordo que, na altura, notícia na imprensa local, o retransmissor da atual M80 Coimbra, 98.4, com uma cobertura deficitária, incluindo o próprio concelho, foi vendido à Media Capital Rádios (atualmente, Bauer) por 600 mil euros (transposto para hoje seria mais). Quantos emissores locais foram adquiridos nas duas últimas décadas com a finalidade de retransmissor? Quanto tem vindo a ser gasto? Com essas verbas, teríamos ou não uma rede DAB+ operacional para todo o território e, possivelmente, com sobra de custos? Enfim, navega-se à vista…

Zeca 2021

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 1570
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #373 em: Dezembro 15, 2025, 10:17:23 am »
E a farsa continua...
Saiu a sorte grande a quem tem uma rádio local. Ter uma alvará vai render mais que investir em BitCoin.  ;D
A seguir teremos a Sporting Rádio e a Porto Rádio.
E daqui a meia dúzia de anos não restam rádios locais.

Se se fizesse o que meio mundo está a fazer estas novas rádios seriam um incentivo à adesão ao DAB+, mas não, o tuga gosta mesmo é de conseguir dar a volta ao sistema.

Mas só agora é acordaram para o desaparecimento das locais ?
Há mais de 20 anos que os grandes grupos aglutinam rádios locais e todos assobiaram para o lado.
Muitos aqui no forum trabalham em rádios desses grupos e sempre defenderam a erosão local.
O Benfica segue a essa máxima e como se trata de um clube de futebol, ainda por cima o maior de Portugal, muitas mais gente irá fazer pressão junto da ERC para que de repente surja uma Benfica FM "nacional".

Yagi

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 57
Re: DAB+ em Portugal
« Responder #374 em: Dezembro 15, 2025, 09:04:44 pm »
“Yagi”, quantas n redes DAB+ podiam ser implementadas em Portugal continental e insular (todo o território) com as verbas investidas em retransmissores locais, de cobertura limitada, não pertencentes a uma infraestrutura planeada de raiz para a melhor otimização, que não resolve a situação de distribuição de sinal para todo o território?

Temos vindo a assistir nos últimos 15 anos a uma aposta forte e crescente dos países europeus na tecnologia digital terrestre para distribuição de sinal de rádio. Por cá investe-se na tecnologia analógica FM, de 1934 (portanto, “ultra-sofisticada”), sem sequer ser desenhada como infraestrutura para todo o território e sem atender (dar resposta) às demandas do setor. Remendos, uns atrás dos outros com custos elevados e múltiplas contrariedades, sem resolver o problema do território como um todo.

Recordo que, na altura, notícia na imprensa local, o retransmissor da atual M80 Coimbra, 98.4, com uma cobertura deficitária, incluindo o próprio concelho, foi vendido à Media Capital Rádios (atualmente, Bauer) por 600 mil euros (transposto para hoje seria mais). Quantos emissores locais foram adquiridos nas duas últimas décadas com a finalidade de retransmissor? Quanto tem vindo a ser gasto? Com essas verbas, teríamos ou não uma rede DAB+ operacional para todo o território e, possivelmente, com sobra de custos? Enfim, navega-se à vista…

Eu não estou por dentro do "mundo da rádio", certamente haverá neste fórum membros por dentro do negócio da rádio. Já confessei a minha admiração pelo facto de certas rádios andarem a gastar dinheiro a comprar rádios locais com 500W e 1000W e cujas frequências até são fortemente interferidas quando deveriam investir em tecnologia atual.

Tenho lutado pela introdução do DAB+ através da ANACOM e dos blogues porque acho que o nosso país ficará a perder se não adotar o DAB+. Como afirmei neste post: https://dabportugal.blogspot.com/2025/12/governo-desistiu-da-radio-digital.html
, acredito que a principal razão para as rádios nacionais não quererem o DAB+ é o receio de haver mais concorrência.

Um emissor DAB+ de 1Kw (PAR) completo (emissor, filtro mascara, antena e cabos) pode custar 9000-19000 Euros. Com a poupança na fatura elétrica rapidamente fica pago. Depois, como várias rádios partilham o mesmo emissor (multiplex) o custo dos emissores e de todos os outros equipamentos (AC, UPS,...) é repartido por várias rádios. Portanto até muitas rádios locais teriam possibilidade de estar no DAB+, como está a acontecer em vários países. Há já uns largos anos soube de uma rádio local que serve a zona de Coimbra que faturava cerca de 150.000 Euros/mês em publicidade, portanto... Se não há dinheiro possivelmente houve má gestão, como se veio a saber aconteceu com a TSF.

Creio que parte da resistência é motivada pelo facto das rádios já terem investido tanto na compra de alvarás FM locais e de Portugal ser um país de capelinhas. Somos um país em que ninguém se entende e cada um puxa para seu lado. O Estado e o regulador, que deveriam assumir um papel ativo, têm sido meros cata-ventos, incapazes de tomar decisões que vão contra interesses privados influentes. Veja-se a trapalhada com os testes DAB+ que pelos vistos nunca se materializarão.

Como o DAB+ pode ser utilizado pela Proteção Civil, escrevi ao Governo e ao PS para tentar sensibiliza-los e sugeri apoios para ajudar as rádios a suportar os custos com o DAB+ enquanto durasse o simulcast com o FM.

Creio, como sugeri, que a ANACOM já deveria ter realizado um debate sobre o DAB+ com as rádios e experts internacionais. E posteriormente o Governo deveria reunir com as rádios ou seus representantes para obter feedback. Uma coisa é certa, se as rádios privadas de cobertura nacional (ou quase nacional) continuassem a recusar o DAB+ a rádio pública deveria mesmo assim avançar. Se quiserem ficar de fora é abrir concurso internacional e colocar lá rádios estrangeiras.
« Última modificação: Dezembro 15, 2025, 09:09:56 pm por Yagi »