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Rádio Comercial

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Linxtuga:

--- Citação de: ZECA em Março 07, 2016, 12:48:56 pm ---Linxtuga:

Será que li bem?
A percentagem na Rádio Comercial de Lisboa é de 75% e do Porto é de 25%?
A Rádio Comercial, é 99,9% Lisboa, feita em Lisboa. Lá por estar num festival em Gaia e promover alguns concertos no Coliseu, tal apenas existe por questões de publicidade e venda de produto. Todo o grupo da Média Capital respira Lisboa e apenas tem um sotaque, o Lisboeta.

A M80 chega ao ponto de dizer que se está a ouvir a M80 Valongo, estando o papagaio sentado em Lisboa, neste caso a papagaia.
A Comercial é um conjunto de amigos/as que vivem em Lisboa, seja ele da Margem Sul ou Norte do Tejo. Vivem na Grande Lisboa e isso é que conta.
No Porto é mais heterogéneo o quê? Só se for a desgraça e a ausência de rádio.
No Porto quase que não há rádio, quanto mais discutir-se se moram na Foz, Boavista ou Gaia.
Fico espantado por chegar ao ponto de achar relevante e importante se os animadores da Comercial são de Cascais ou de Lisboa. O centralismo é tal que Cascais é longe.

È por isso que o país morre por causa dessa visão puramente lisboeta, mas pior, fala-se do Porto não se conhecendo a realidade actual do Porto em matéria de Comunicação social, pois ela não existe. Está morta.
Mas que raio de heterogeneidade que se refere no Porto? Estou curioso em ver que tese vem por aí..

Boxx: Saudades da Rádio Atlântico...

--- Fim de Citação ---

O sotaque de Lisboa, quer queiramos quer não, é o que vale para o país. É um sotaque nacional. É assim há séculos. Por algum motivo os profissionais do Porto e de outras zonas têm tudo normalizado por Lisboa, salvo algumas ressalvas pontuais que mantêm identidade. De Bragança ao Algarve, o que vale é esse sotaque, jogando no seu campo. Não se afirma superioridade alguma por aqui, apenas uma escolha secular do poder central que definiu parte do rumo do país. Não se entender isto é não se entender a história de Portugal.

A M80 não mente sem dúvida ao dizer que se está a ouvir a M80 Valongo, porque a frequência é de Valongo. E se há uma emissão local para Valongo, mesmo que com o mesmo formato da de Lisboa e feita a partir de Lisboa, é melhor do que ser tudo à bitola da sede porque cria proximidade aos públicos do Grande Porto (mesmo que limitada por não sair de lá, sim). E isso é muito importante, quer queiramos quer não, e faz diferença nas audiências das cadeias de rádio.

Revela de resto um profundíssimo desconhecimento da morfologia aqui no centro/sul ao referir que a margem sul do Tejo é Grande Lisboa - é na prática, sim, mas tecnicamente não o é. Pertence à Grande Lisboa a área compreendida pelos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Amadora, Sintra, Odivelas, Loures e Vila Franca de Xira. Os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete são margem sul do Tejo, mas distrito de Setúbal. Pertencem apenas à área metropolitana.

Quando refiro que as coisas na região do Grande Porto e, mais amplamente, no Norte, são mais heterogéneas refiro-me às pessoas e à noção de unidade que existe em boa escala, não ao panorama rádio que apenas conheço parcialmente (agora em Junho vou explorar mais a fundo). É algo que qualquer pessoa desta região afirma e, se o Zeca o negar, não lhe vejo qualquer provimento para a sua argumentação com tons-base de "isto está tudo uma desgraça, o Porto está desconsiderado, o centralismo Lisboeta alastra a olhos vistos, não se faz nada de jeito aqui, etc etc" porque isso faz parte da região. É a noção de unidade e reforço que confere muita da identidade e importância que o Norte tem. No dia em que for cada um para seu lado bem podem rezar.

De resto, um esclarecimento: não acho importante se as pessoas são de Cascais ou Lisboa, estou apenas a fazer a argumentação lógica de quem vê padrões na organização das coisas na área de atuação da Grande Lisboa, e há uma maior presença, de forma claramente nítida, do Norte do Tejo face ao Sul do Tejo. Tem muitos fatores, sim,  mas o que queria que se refletisse eram quais. Questões históricas? Localização de partida quando se nasce? Poder de atração? Mas enfim, para o seu discurso contra o "centralismo" (qual centralismo?) não interessam as matrioskas dentro da matrioska maior, é óbvio - foi pura perda de tempo da minha parte.

Nota ainda para o Zeca a afirmar que "Cascais é longe". Meu caro, eu morei muita da minha curta vida até agora a muito mais do que os meros 25 km's que separam Cascais de Lisboa. E toda a Linha é vista - e bem! - como uma extensão natural da área de influência e agregação de Lisboa, tal como a Linha de Sintra o é também, e tal como a Margem Sul do Tejo o é também, embora aqui com algumas, poucas, diferenças identitárias. Qualquer pessoa que estude Sociologia lhe explica isto sem dificuldades.

Uma nota por fim para acabar com o offtopic que é enorme e ainda por cima ainda o incentivei mais no meu tópico (coisa parva...): se há coisa que não tenho, é visão puramente lisboeta. É afirmar um contexto como meu quando ele simplesmente não existe. A minha visão é nacional, vejo utilidade em cada uma das regiões, tanto que sou até a favor de uma regionalização bem feita, com pés e cabeça. Não o pode afirmar não me conhecendo enquanto forista, porque não só não me conhece na realidade como desconhece por completo o meu real contexto.

Fim do offtopic da minha parte.

ZECA:
Linxtuga,  o seu discurso apenas mostra a razão porque este país não cresce, bem pelo contrario, cada vez mais pobre. Quando bate palmas a que uma rádio de Lisboa utilize um emissor local, dizendo que tem emissão própria, é brincar com a inteligencia de quem mora em Valongo. Então um papagaio em Lisboa que lê numa hora, uma noticia do concelho, acha que já se respeita a localidade do emissor?
Porque não faz ao contrario.
Você jamais admitiria que na sua zona um emissor local fosse mero retransmissor de uma rádio de Valongo, como é obvio.
Uma rádio fazer isso é gozar com os Valonguenses, pois nunca o papagaio refere que está na capital. A lei foi alterada para beneficiar estes grupos lisboetas..
Não gostava de ter em Lisboa apenas rádios de Bragança, porque não?
Não são tão portugueses como você?
Ou acha-se mais por ser da capital?
O sotaque de Lisboa é o que vale para o país?
È só rir...Não meu caro, o sotaque Lisboeta só existe em Lisboa e não é esse a referencia nacional. È a mania das grandezas...

Já reparou que para si é importante discutir-se Lisboa e Margem do Sul do Tejo. Não acha importante discutir-se Porto e margem Sul do Douro?

O seu pensamento é precisamente aquele que afunda este país..afunilando..
Meu caro, as pessoas do Porto Ocidental mal conhecem o Porto Oriental quanto mais achar que existe unidade no Norte.
Meu caro, o sotaque da Foz nada tem a ver com o sotaque da Areosa e olhe que a distancia é de apenas 15Km em linha recta.
Valongo que está a 10Km do Porto já fala bem diferente...
Paredes a 30Km ...
e por aí fora.
 
A cidade do Porto com 42Km2 parace pequena mas ao mesmo tempo é tão grande, facto que você não sabe, pois nao conhece. S for perguntar a alguém da Foz onde fica o jardim da Corujeira, a maior parte nunca lá passou. Se perguntar a alguém da Boavista se conhece a Areosa, a maior parte não passa lá há decadas, por aí fora. Você acha bem que um concelho como Gondomar com mais população que muitos concelhos da área de Lisboa não tenha rádio?
Acha bem que Matosinhos não tenha rádio e o emissor seja usado por gente que se está borrifar para quem lá reside?
Mas o provincianismo é isso mesmo, aquele que não saí do sítio.
O mal de muita gente na Capital é que acha que conhece o país, confundido o Porto com o Norte ou o Norte com o Porto.
È com esse seu pensamento que vamos vendo tudo a fechar por esse país fora, sem rádios, sem jornais para tudo desaguar na Capital. Depois, temos foruns como este onde o que se discute se o emissor da rádio lisboeta chega bem a Bragança, Tabuaço ou ao Porto, porque assim é que é bom.
O importante é que as rádios de Lisboa proliferem por esse país, para que nas férias ao sairem de Lisboa possam enviar umas mensagens para os foruns para se dizer que se ouvem bem aqui e acolá. Enfim..

Meu caro, conheço muito bem Lisboa e seus arredores e margem Sul do tejo também. Até à Quinta do Conde faço 3 vezes por semana Porto/Lisboa e Quinta do Conde..Há 25 anos. Quanto a si, se calhar nem o Porto conhece e se conhece não passou dos Aliados ou da Ribeira quanto mais a Areosa, São Roque da Lameira ou Francos.
Falar de cor é facil....Nao sair da Capital ou só ir até ao Algarve torna-nos o maior dos provincianos...
O desconhecimento geográfico deste país é gritante na Capital e quando se pergunta o que conhece do país de facto, termina em Alverca.



Manuel Castro:
Zeca: está preocupado com a rádio na cidade do Porto? Eu ficava mais preocupado com a cidade de Portalegre, só com uma rádio local activa. Ou Faro. Para nem falar em Coimbra. O Porto tem duas rádios locais com estúdios na cidade e sotaque tripeiro.

Mas vamos ao que interessa: imaginemos que todos os bairros de Lisboa, Porto e outras cidades tinham uma rádio local. Quantos desses projectos eram viáveis ao fim de 5 anos, só vivendo da publicidade e de pequenos apoios?  Fica a questão.

PedroTavares:
Experimente gerir uma estação de rádio local sem vender tempo de antena à IURD, sem professor Bambo,  sem enlatados de apanhados e afins. Vai ver porque manter uma rádio dá grandes dores de cabeça. Ou existe verdadeiro amor a camisola e muito trabalho para arranjar uns trocos para aguentar com as despesas ao fim do mês ou já se sabe o que acontece. E se houver desgraça como na rádio de Ílhavo a precisar de mais de 20000 euros para montar uma torre nova, ainda se vai com sorte. Ter uma rádio é compensador do ponto de vista social, mas não é para qualquer pessoa.

Luis Carvalho:
Para que conste: o engenheiro Luís Montez detém apenas 22,5% do capital da Rádio Nova. Portanto, comparar a Nova à Festival em termos de propriedade não faz sentido, porquanto a primeira tem vários accionistas, sendo o maior a sociedade detentora do jornal "Público", detida, em última instância, pela Sonae. Uma empresa com apelido Azevedo que, imagine-se, tem o sotaque típico do concelho da Maia.

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