Autor Tópico: Grupo Impresa  (Lida 10698 vezes)

ruicleto

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Re: Grupo Impresa
« Responder #30 em: Outubro 23, 2025, 09:55:36 am »
"passagem de um Portugal militar para um Portugal Democrático e civil"? noto que a transição esteve sempre prevista e os únicos responsáveis pela sua concretização foram os próprios militares, que já previam nos documentos inerentes ao movimento dos capitães, tal transição para uma democracia com sufrágio universal.
Relevo que o título (posto militar), nos militares dos quadros permanentes, permanece até ao final das suas vidas, tal como as comendas e outros títulos, assim como também é verdade para os títulos concedidos pelo ensino superior (seja militar ou civil).
Esteve prevista mas não sempre: a dada altura do PREC a vontade de fazer essa transição era praticamente nula, entre outras coisas, estava previsto um órgão de soberania paralela à AR - a Assembleia do MFA - e em que o Presidente da República seria eleito pela AR e pela AMFA; a acrescentar a isso uma espécie de "Senado militar" que era o Conselho da Revolução! Foi fundamental o combate dos partidos democráticos contra a instauração de um regime militarista, sobretudo o PS, o PPD e o CDS.

O 25 de novembro, no fundo teve essa razão, de "repor" o programa saído do 25 de abril na sua globalidade e avançar para um regime totalmente democrático, ainda assim com uma solução de compromisso, em que num período transitório esse "Senado militar", o CR, continuaria até que uma revisão constitucional - que só podia ser feita a partir de 1980 - o extinguisse.

A partir de 1976 a saída dos militares dos órgãos de poder político foi deixando de ser tema, embora a extinção desse órgão - algo bizarro - que foi o Conselho da Revolução em 1982 não tivesse sido fácil de digerir para os militares. E por isso a revisão constitucional desse ano, gizada por Balsemão e Soares foi tão importante.

Obrigado pelo texto complementar. Apenas refiro que este "Senado militar" como chama, foi apenas com o intuito de que existiria a certeza de que não se regredia para o mesmo sistema ditatorial existente antes da revolução dos cravos...

SamM

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Re: Grupo Impresa
« Responder #31 em: Outubro 23, 2025, 10:19:32 am »
"passagem de um Portugal militar para um Portugal Democrático e civil"? noto que a transição esteve sempre prevista e os únicos responsáveis pela sua concretização foram os próprios militares, que já previam nos documentos inerentes ao movimento dos capitães, tal transição para uma democracia com sufrágio universal.
Relevo que o título (posto militar), nos militares dos quadros permanentes, permanece até ao final das suas vidas, tal como as comendas e outros títulos, assim como também é verdade para os títulos concedidos pelo ensino superior (seja militar ou civil).
Um militar não se pode candidatar a PR, portanto, se está na corrida, não deve usar o título, e ele não esconde que até gosta dele. Nada contra que o use, mas não no contexto de um cargo que tem de ser ocupado por um civil.

Sobre a primeira parte, o @AG disse tudo. Acrescentaria apenas que é mais ao menos consensual entre os historiadores políticos e económicos que Portugal entra no pelotão das democracias liberais, de matriz totalmente ocidental, justamente com a governação de Francisco Pinto Balsemão, que começa a lançar que abrem caminho a que Mário Soares e Cavaco Silva, os dois pais fundadores da verdadeira democracia política, Parlamentar e Plural, devolvam o país a uma economia plenamente de mercado. Em bom rigor, eu nasci em 1991, e ainda me lembro, por exemplo, dos combustíveis tabelados pelo Estado, ou da falta de concorrência nas telecomunicações. Algumas reformas que vêm dos tempos da Revolução, e também do absolutamente planificador Estado Novo, só mesmo nos governos de Barroso e Sócrates é que ficaram concluídas.
(Também não deixa de ser verdade que continua a imperar uma lógica de cartelização, que na maioria dos países da Europa seria severamente sancionada, e aqui passa pelos pingos da chuva).

Não quero imaginar viver num país onde os órgãos de comunicação social eram dominados pelo duopólio Estado e Santa Sé, com a agravante que a Internet civil era uma mera obra ficção científica.

Pegando nas palavras do caro R4, o maior elogio que lhe posso tecer são as palavras escritas, em 1998, pelo director do Expresso aquando Balsemão era Primeiro Ministro: Augusto de Carvalho.

https://expresso.pt/actualidade/augusto-de-carvalho-e-os-25-anos-do-expresso=f749254

Pessoalmente e puxando a brasa à nossa sardinha radiofónica, questiono a razão de, dada a ligação do saudoso Emídio Rangel à TSF Rádio Jornal, o porquê da SoJornal não ter comprado o portefólio TSF, XFM e NRJ Rádio Energia aquando o desaparecimento da cooperativa e a venda à Lusocanal. À Impresa sempre lhe faltou a rádio para ser uma empresa plenamente multimédia.
Aliás, a SIC até há poucos anos mantinha uma ligação de cortesia com a TSF.

Outro tesourinho que aqui deixo é sobre o leilão da Rádio Comercial, onde FPB apoiou a família Botelho Moniz para a compra da RC, talvez com o intuito histórico de reaver para aquela família a marca Rádio Clube Português nacionalizada no pós-25 de Abril de 1974.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/privatizacao-da-radio-comercial/

Certo. Foi uma perda o grupo TSF não ter ficado nas mãos da Impresa. Pessoalmente, tenho uma ideia de porque não terá acontecido, acho que na peça a jornalista deixa a nu, para bom entendedor. A TSF é, ainda hoje, uma rádio de esquerda. Provavelmente, se tivesse ido para a Impresa, provavelmente hoje não teríamos um tópico designado "Rádio Observador".
Sempre pensei que a relação de cortesia da SIC era com a R/Com... ;D ;D

Em relação à direção do Expresso, têm mesmo a certeza de que o atual Presidente não era diretor no período do Governo Balsemão? Ainda ontem ao ouvi-lo, ficava com essa ideia, e há vários CV's dele que o deixam subentendido:

https://gci.iscte-iul.pt/2022/univ/assets/bio/marcelo_rebelo_sousa.pdf?utm_source=chatgpt.com

Essa relação de cortesia com a R/Com é recente.

Relembro que era comum nos anos 90 e 2000 o intercâmbio de jornalistas entre a TSF e a SIC (o Fernando Alves, por exemplo, foi comentador na Noite da Má Língua, a Quadratura do Círculo era basicamente o Flashback da TSF e quando a Maria João Ruela foi baleada no Iraque (lembro-me de ver isso na TV) ela estava acompanhada por um repórter da TSF. Onde é que a Rádio Observador tem essa classe que a TSF tinha?

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2003/11/printable/031114_portuguesjr

Sem nunca esquecer o "Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer", bem como a Grande Reportagem, creio.

O Bigode do Sala

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Re: Grupo Impresa
« Responder #32 em: Outubro 23, 2025, 11:28:40 am »
"passagem de um Portugal militar para um Portugal Democrático e civil"? noto que a transição esteve sempre prevista e os únicos responsáveis pela sua concretização foram os próprios militares, que já previam nos documentos inerentes ao movimento dos capitães, tal transição para uma democracia com sufrágio universal.
Relevo que o título (posto militar), nos militares dos quadros permanentes, permanece até ao final das suas vidas, tal como as comendas e outros títulos, assim como também é verdade para os títulos concedidos pelo ensino superior (seja militar ou civil).
Um militar não se pode candidatar a PR, portanto, se está na corrida, não deve usar o título, e ele não esconde que até gosta dele. Nada contra que o use, mas não no contexto de um cargo que tem de ser ocupado por um civil.

Sobre a primeira parte, o @AG disse tudo. Acrescentaria apenas que é mais ao menos consensual entre os historiadores políticos e económicos que Portugal entra no pelotão das democracias liberais, de matriz totalmente ocidental, justamente com a governação de Francisco Pinto Balsemão, que começa a lançar que abrem caminho a que Mário Soares e Cavaco Silva, os dois pais fundadores da verdadeira democracia política, Parlamentar e Plural, devolvam o país a uma economia plenamente de mercado. Em bom rigor, eu nasci em 1991, e ainda me lembro, por exemplo, dos combustíveis tabelados pelo Estado, ou da falta de concorrência nas telecomunicações. Algumas reformas que vêm dos tempos da Revolução, e também do absolutamente planificador Estado Novo, só mesmo nos governos de Barroso e Sócrates é que ficaram concluídas.
(Também não deixa de ser verdade que continua a imperar uma lógica de cartelização, que na maioria dos países da Europa seria severamente sancionada, e aqui passa pelos pingos da chuva).

Não quero imaginar viver num país onde os órgãos de comunicação social eram dominados pelo duopólio Estado e Santa Sé, com a agravante que a Internet civil era uma mera obra ficção científica.

Pegando nas palavras do caro R4, o maior elogio que lhe posso tecer são as palavras escritas, em 1998, pelo director do Expresso aquando Balsemão era Primeiro Ministro: Augusto de Carvalho.

https://expresso.pt/actualidade/augusto-de-carvalho-e-os-25-anos-do-expresso=f749254

Pessoalmente e puxando a brasa à nossa sardinha radiofónica, questiono a razão de, dada a ligação do saudoso Emídio Rangel à TSF Rádio Jornal, o porquê da SoJornal não ter comprado o portefólio TSF, XFM e NRJ Rádio Energia aquando o desaparecimento da cooperativa e a venda à Lusocanal. À Impresa sempre lhe faltou a rádio para ser uma empresa plenamente multimédia.
Aliás, a SIC até há poucos anos mantinha uma ligação de cortesia com a TSF.

Outro tesourinho que aqui deixo é sobre o leilão da Rádio Comercial, onde FPB apoiou a família Botelho Moniz para a compra da RC, talvez com o intuito histórico de reaver para aquela família a marca Rádio Clube Português nacionalizada no pós-25 de Abril de 1974.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/privatizacao-da-radio-comercial/

Certo. Foi uma perda o grupo TSF não ter ficado nas mãos da Impresa. Pessoalmente, tenho uma ideia de porque não terá acontecido, acho que na peça a jornalista deixa a nu, para bom entendedor. A TSF é, ainda hoje, uma rádio de esquerda. Provavelmente, se tivesse ido para a Impresa, provavelmente hoje não teríamos um tópico designado "Rádio Observador".
Sempre pensei que a relação de cortesia da SIC era com a R/Com... ;D ;D

Em relação à direção do Expresso, têm mesmo a certeza de que o atual Presidente não era diretor no período do Governo Balsemão? Ainda ontem ao ouvi-lo, ficava com essa ideia, e há vários CV's dele que o deixam subentendido:

https://gci.iscte-iul.pt/2022/univ/assets/bio/marcelo_rebelo_sousa.pdf?utm_source=chatgpt.com

Essa relação de cortesia com a R/Com é recente.

Relembro que era comum nos anos 90 e 2000 o intercâmbio de jornalistas entre a TSF e a SIC (o Fernando Alves, por exemplo, foi comentador na Noite da Má Língua, a Quadratura do Círculo era basicamente o Flashback da TSF e quando a Maria João Ruela foi baleada no Iraque (lembro-me de ver isso na TV) ela estava acompanhada por um repórter da TSF. Onde é que a Rádio Observador tem essa classe que a TSF tinha?

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2003/11/printable/031114_portuguesjr

Sem nunca esquecer o "Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer", bem como a Grande Reportagem, creio.

O Governo Sombra foi, em tempos, uma parceria com a TVI24 quando o José Alberto Carvalho era director de informação do canal de Queluz de Baixo.

Após o divórcio de Carlos Vaz Marques com a TSF e, consequentemente, a venda da Média Capital pela PRISA, o Governo Sombra «acaba», nascendo exclusivamente nas madrugadas da SIC (generalista) como «Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer».
«O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta! Inventor de algo que não havia no Mundo antes de eles nascerem!
E inteiramente individual: cada um poeta que é!»

Agostinho da Silva

pdnf

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Re: Grupo Impresa
« Responder #33 em: Outubro 26, 2025, 12:57:49 am »

O Governo Sombra foi, em tempos, uma parceria com a TVI24 quando o José Alberto Carvalho era director de informação do canal de Queluz de Baixo.

Após o divórcio de Carlos Vaz Marques com a TSF e, consequentemente, a venda da Média Capital pela PRISA, o Governo Sombra «acaba», nascendo exclusivamente nas madrugadas da SIC (generalista) como «Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer».

Não me lembrava de ter passado pela TVI24, mas na SIC N tinha a certeza que ainda tinha estado às 0h de sábado, depois do EdMN como "Governo Sombra":
https://sic.pt/programas/governo-sombra/videos/2020-10-23-Governo-Sombra---23-de-outubro
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

AG

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Re: Grupo Impresa
« Responder #34 em: Outubro 26, 2025, 12:00:24 pm »

O Governo Sombra foi, em tempos, uma parceria com a TVI24 quando o José Alberto Carvalho era director de informação do canal de Queluz de Baixo.

Após o divórcio de Carlos Vaz Marques com a TSF e, consequentemente, a venda da Média Capital pela PRISA, o Governo Sombra «acaba», nascendo exclusivamente nas madrugadas da SIC (generalista) como «Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer».

Não me lembrava de ter passado pela TVI24, mas na SIC N tinha a certeza que ainda tinha estado às 0h de sábado, depois do EdMN como "Governo Sombra":
https://sic.pt/programas/governo-sombra/videos/2020-10-23-Governo-Sombra---23-de-outubro
Se não me engano nas datas, o Governo Sombra em televisão começou na TVI24 em 2012 e passou para a SICN no início de 2020.

Lembro-me que o divórcio polémico do Carlos Vaz Marques com a TSF foi no verão de 2021, e portanto foi nessa altura que tiveram de mudar o nome do programa.
« Última modificação: Outubro 26, 2025, 12:02:13 pm por AG »