Estes resultados refletem a erosão do mercado radiofónico português e a sua concentração nas rádios de maior audiência. Devem ser os mais desinteressantes resultados do Bareme que eu já vi em muitos anos, mas pronto, vamos lá comentar isto e tentar inventar motivos para justificar esta tão arcaica medição que ainda perdura.
A Comercial varia dentro do que se espera, e isto ainda é expurgado do efeito do Nuno Markl que não deve ter entrado para o Bareme em condições, portanto ainda deve subir no próximo período.
A M80 subir para 9,4% reflete a troca de locutores nas horas de ponta ter tornado essas horas de ponta muito mais agradáveis de escutar. A Ana Moreira faz um bom contraste e um bom tecido de vozes com o Paulo Fernandes, e no regresso a casa a Elsa Teixeira sozinha está uma Vera Fernandes autêntica, a assegurar aquilo com extrema qualidade. Desde essa troca que ouço muito mais a M80 apesar da captação ocasionalmente deficitária em 90.0. Houve também uma certa saída de temas sinceramente um bocado irritantes da rotação geral de playlist no internacional, apesar de continuar a acontecer até à exaustão na música portuguesa.
Mega Hits penso que não tem o pior resultado que já chegou a ter, 2,7% é um resultado dentro do intervalo de valores que sempre fizeram. A Cidade perde umas impressionantes sete décimas penso que à conta do estado degradado dos emissores em Lisboa, de alguma estagnação na estação e de uma dessintonia nas manhãs que agora foi corrigida entre o humorista e a Catarina Silva.
A Smooth já perdeu aproximadamente 30% da audiência desde o pico de 1,3 num dos Baremes anteriores e agora cota a apenas 0,9%. A degradação geral verificada neste Bareme nos emissores 89.5 e 92.8, bem como a falta de apelativo do som em 96.6, assim o está a ditar. Não vejam isso que não é preciso.
A RR é sempre a mesma mesmice, a mim dá-me a sensação que podiam começar a passar Sertanejo brasileiro 24 horas por dia que ficavam sempre por ali nos 6%. Longe vai o tempo das ideias loucas de um certo administrador de querer rivalizar com Comercial e RR, a M80 já abre três pontos e meio de vantagem e portanto é internar o senhor.
Rádios publicas a brilhar neste Bareme, a Antena 3 com uma boa subida e a Antena 1 sobe mais 4 décimas. Com a playlist da A1 como se encontra tem bastantes condições para poder vir a rivalizar com a RR ou mesmo ultrapassá-la, está uma rádio bastante mais leve e audível, mas sem ser demasiado facilitista, e com programas interessantes. Ainda hoje ouvia o último da Isilda Sanches.
Longe da catástrofe que o Atento se fartou de azucrinar - a palavra que vou usar é mesmo esta - durante MESES a fio nesta sede. Prova de que os loucos não estão certos, ao contrário daquela música dos Diabo na Cruz. E de facto, ele bem o meteu na cruz, mas não saiu nada. Temos pena.
A TSF tornou o output de emissão mais audível, com menos desvios políticos desnecessários na música, com melhor música, e introduziu a Mónica Mendes. Os pivots informativos também são melhores escolhas. Não há qualquer consequência da perda das madrugadas e aliás até cresce para valores que são considerados normais para a TSF e agora com uma estrutura menor. Penso que se pode declarar que a crise de audiências, que não se resolvia há um bom bocado, acabou na TSF. Boas notícias para o meio rádio português, e que se continue a revitalizar.
O Observador tem tido um crescimento progressivo e assim continuará a ter. Precisam de estender o sinal a mais regiões, como o Algarve e o Alto Minho, e aí acredito que cheguem aos 3%.
A Nova Era tem o pior resultado que eu já vi de AAV mas em particular de reach semanal, onde perde significativamente, culpa da sua própria estagnação causada pelo nosso genro favorito. Talvez altura de se revoltarem em Gaia, não sei, mas é bom povo para isso.
CMR continua a crescer, mas muito pouco e de forma muito incipiente. Continua a ser um produto que não cativa ouvir.
Bom resultado para a Amália. Se abrisse um pouco o leque da sua seleção musical para coisas mais próximas da Rádio Sim subiria mais ainda.
Registe-se a Nove3Cinco a aparecer no reach semanal, e pela 1a vez em muito tempo a própria Rádio Nova a constar, ainda que com relativamente pouco reach nacional, 0.2%. Terem transmissões de desporto ao fim de semana, mas sobretudo uma grande manobra de marketing, seriam boas soluções para que mais gente ouvisse, a estação não tem comparação no éter a Norte e pode perfeitamente posicionar-se como a grande generalista por excelência (e com excelência).
Por fim, na RDS podem ir buscar os foguetes e apanhar as canas, porque com os emissores todos que têm lá conseguem finalmente furar qualquer coisa na tabela nacional, apesar do paupérrimo produto que trazem.