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Festival RTP da Canção 2020

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Julio Carvalho:
Caríssimo, já nem respodo às garotada inconsequentes do primeiro parágrafo.

Eu falo de música, de boas vozes, na esteira de grandes vencedores do  festival, como Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Simone ou Salvador. E Áurea  tem esse perfil. Ela canta tudo, já a vi cantar um fado com a maior das naturalidades. Para mim, música é voz... Música sem voz, para mim só jazz ou música clássica.

Mas estamos a falar de festival da canção...  Se fosse um festival desses alternativos, mandava, sem hesitar, o tal Osiris.

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--- Citação de: R4 em Janeiro 17, 2020, 12:06:15 pm ---Caríssimo, já nem respodo às garotada inconsequentes do primeiro parágrafo.

Eu falo de música, de boas vozes, na esteira de grandes vencedores do  festival, como Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Simone ou Salvador. E Áurea  tem esse perfil. Ela canta tudo, já a vi cantar um fado com a maior das naturalidades. Para mim, música é voz... Música sem voz, para mim só jazz ou música clássica.

Mas estamos a falar de festival da canção...  Se fosse um festival desses alternativos, mandava, sem hesitar, o tal Osiris.

--- Fim de Citação ---

No último parágrafo estamos de acordo. Aliás, era impossível não estar - todos vimos o desastre que foi o ano passado... por muito que aprecie o Conan e por já o ter visto ao vivo, o que se passou foi um monumental erro...

Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Simone de Oliveira ou Salvador Sobral são vozes de excelência, poderosas, marcantes. Não tirando o mérito à Áurea, que até pode ter embora nem aprecie, acho que é demasiado compará-la aos "grandes"...

Pode ser que esteja errado. Posso responder de forma sarcástica por vezes, mas sou dos primeiros a dar a mão à palmatória quando digo asneira.

radiokilledtheMTVstar:
A questão é que Portugal com o Salvador e o Conan está a levar caviar para uma Eurovisão de pop pipoca onde as luzes e o fogo-de-artifício é que são o que mais interessa para muita gente, como o Salvador tão bem disse (embora até goste da vencedora do ano passado).
No entanto não podemos cair no exagero, logo depois da vitória em 2018 lembro-me que a segunda semifinal do Festival da Canção foi intragável e parecia que estava a ser organizada por uma SBSR da vida... Já se sabia que esse ano não podíamos ambicionar muito uma vez que nenhum país até agora venceu a Eurovisão duas vezes seguidas, mas mesmo assim...
Parece-me que este ano o equilíbrio entre o alternativo e o mais comercial é o ideal, embora ainda não tenha uma opinião completamente formada porque ainda apenas ouvi excertos das canções.

O Bigode do Sala:
Concordo com a primeira parte do teu comentário.
De facto, há que dar os parabéns ao Henrique Amaro, Nuno Galopim e restante equipa da RTP que tirou a bimbalhada do FC e o revitalizou em 2017, tornando-o uma montra para novos artistas emergentes que são desconhecidos do grande público.

De lá para cá vem perdendo um pouco do ecletismo, sendo o seu pináculo o FC de 2018 que tinha, pelo menos, uma mão cheia de canções excelentes que cabem perfeitamente em qualquer playlist de uma rádio com o mínimo de padrões de qualidade musical.
Nesse ano, apesar de gostar da Isaura, penso que iríamos muito melhor com a dupla emmy Curl (que passou a ser a minha paixão platónica musical portuguesa, confesso aqui) e Júlio Resende, que o Jardim. E essa votação foi, no mínimo, polémica.

Sobre o Conan Osíris, sou daqueles que o acha uma pedrada no charco na nova música portuguesa. Quer se goste ou não do estilo e mesmo ficando triste com as comparações feitas com o Zeca Afonso e o António Variações (esses são de outra galáxia), o homem é um verdadeiro artista e foi muito bem mandado para uma Eurovisão azeiteira, estérica e com lobbies bem institucionalizados.
Mesmo que o nosso bife do lombo seja mandado para um antro de consumidores de lixo musical bem embrulhado em superficialidade, ficamos sempre bem vistos para aqueles que, tal como muitos de nós aqui, são uns melómanos convictos.

Mas a semente do Salvador Sobral já germinou em alguns países. Ainda este ano, a Bélgica vai mandar uma das minhas bandas de eleição que, por cá, só os ouvi na TSF: os Hooverphonic.

Por fim, a lista de canções deste ano, na minha modesta opinião, é a mais fraca de todas.
Adoro os Blasted Mechanism, já fui muito feliz a ouvi-los ao vivo, mas eles já não são o que eram.
Anos e anos com fatos pesados e exóticos, após múltiplas digressões, a saída do Karkov e o desgaste da idade de alguns, bem como a evolução das suas vidas, fazem com que a sua sonoridade tenha sido alterada e já não tenham aquela pujança do tempo do «Start To Move», por exemplo.

E por falar em «Start To Move», deixo-vos aqui uma passagem do grande Professor Agostinho da Silva, contida precisamente nessa faixa:

«O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta.
Inventor de qualquer coisa que não havia mundo ainda.
E inteiramente individual.
Cada um poeta que é!»

Let's do a rebellion!

Saudações!

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Luis Carvalho:
As músicas do "Festival da Canção" explicadas em 5 minutos:

- Throes + The Shine - "Movimento": africanice (com todo o respeito pelos amigos africanos) banal, corriqueira, perfeitamente encaixável numa rádio como a Cidade FM ou a Mega Hits. Para o Festival da Canção, não.
- Elisa - "Medo de Sentir" - canção pop comercial;
- Kadi - "Diz só": bom tema para ingressar na playlist da RDP África ou num programa de kizomba;
- Blasted - "Rebellion": Música de rock alternativo cantado em inglês boa para, se passar à final, animar o pessoal no coliseu de Elvas. Todavia, a título pessoal, recuso-me a votar num tema que não honra a língua de Camões.
- Elisa Rodrigues - "Não voltes mais": em poucas palavras, "narueaea, narueaea, narueaeieiei". Travo a Sara Tavares e uma letra que deixa muito a desejar.
- Filipe Sambado - "Gerbera Amarela do Sul": finalmente, uma letra eloquente. Todavia, receio que o nível cultural de muitos dos votantes não lhes permita a compreensão adequada da mensagem transmitida pelo Filipe Sambado. Faz lembrar as grandes canções de intervenção.
- Bárbara Tinoco - "Passe-partout": à partida, uma forte candidata a chegar à final. Atrever-me-ia a afirmar que é uma canção que soa mais francesa do que muitas canções que os gauleses têm levado à Eurovisão.
- Judas - "Cubismo enviesado": alguém que levante o braço do gira-discos e coloque a agulha mais para a frente da música, que o LP continua a encalhar no "refrão"(?) "Vês ou não?". Não conseguiam escrever uma letra mais pobre?
- JimmyP - "Abensonhado": Rap português na Eurovisão? Os adeptos do estilo de música que me perdoem, mas, a meu ver, o Festival da Canção é para se escolher uma boa canção em português com uma boa melodia cantada.
- Tomás Luzia - "Mais real que o amor": uma espécie de flamenco com laivos de fado... e uma composição medíocre.
- Meera - "Copo de Gin": demasiado comercial.
- Ian Mucznic - "O dia de amanhã": não é uma música má, mas imprópria para se ouvir amiúde, sob pena de se acabar por adormecer ao som de uma balada. Sugestão à RFM: quando acabar a Eurovisão e a RTP deixar de ter os direitos exclusivos sobre a canção, podem colocá-la no "Oceano Pacífico".
- Luiz Caracol e Gus Liberdade - "Dói-me o país": não se preocupem, meus caros, que o Sr. Dr. já vos vai receitar o Clonix e uns antibióticos. Canção de intervenção que jamais se conseguirá adequar ao que se pretende para representar Portugal em Roterdão.
- Cláudio Frank - "Quero-te abraçar": mais música em ritmo africano, com uma letra demasiado banal. Carregar no botão para avançar o número da senha e dizer aos fregueses: "próxima!".
- Dubio ft +351 - "Cegueira": uma voz fraca e um tema que até poderia ser interessante numa voz com outro poder de afirmação.

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