O João Correia foi obrigado a sair do estádio do Estrela da Amadora ao intervalo devido à "falta completa de condições para cobrir o jogo" debaixo de chuva intensa.
Um jornalista nunca deve abandonar o barco...
E se estivesse a fazer reportagem de pista a chover copiosamente?
Também saía?
Joaquim Vieira
Trindade Guedes
Jamais abandonariam o barco...
E os repórteres do Rally de Portugal?
À lama e à chuva!!
Sinceramente, eu acho que o João Correia fez bem.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
O Estádio José Gomes não tem condições mínimas para os jornalistas trabalharem (já lá estive 3 vezes e, graças a Deus, nunca apanhei chuva).
Lembro-me de, na altura do Estrela vs Sporting, alguém ter publicado um vídeo nas redes sociais, com chuva intensa a molhar os papéis com a preparação do jogo dos jornalistas e o material, ligado à energia, completamente molhado.
Quem vai para a tribuna não vai para a pista.
Se, por um lado, na reportagem de pista o repórter está à mercê do estado climatérico, por outro, quem vai para a tribuna de imprensa tem de ter as condições mínimas para trabalhar (o que implica estar num local onde não chova).
Se estivéssemos a falar de uma instituição de um campeonato não profissional ou amador, tenho a certeza de que o João Correia não abandonaria o estádio.
Mas, num estádio em que o espaço não tem condições há pelo menos 3 anos (desde que o Estrela ascendeu à 1.ª Liga), em que nada fazem para melhorar esse espaço e em que, mesmo assim, há dinheiro para ecrãs gigantes, eu próprio saúdo o João Correia por essa atitude.
E digo mais: mais jornalistas tivessem a postura que o João Correia tem.
Para concluir: já que gosta tanto de invocar o que se faz na rádio espanhola...
Sabe o que a Liga Espanhola faz?
Obriga os clubes a dar condições mínimas aos jornalistas.
Todas as rádios pagam 100 € por jogo de direitos radiofónicos, que servem exclusivamente para as instituições desportivas disponibilizarem as condições mínimas às rádios.
Aqui, que preocupação tem a Liga de Clubes para com as rádios?
Bola. Zero.
Preocupam-se minimamente com a TV e mesmo assim, são incompetentes no papel da centralização. E as rádios, para eles, é como se não existissem.
A Antena 1 ainda faz os mínimos olímpicos, mas, na ausência de condições de trabalho, aplaudo a decisão unilateral do João Correia.
Em relação às outras rádios nacionais: se eu fosse espanhol e ouvisse as restantes rádios nacionais, ficaria a pensar que só existem 3 clubes em Portugal.
Mas isso é tema para outros Rosários.
Entendo o que dizes Nélson, são planos diferentes, entre estar na pista a fazer breves apontamentos e ter a responsabilidade de cobrir um relato. Contudo no caso do jogo em causa, também seriam breves apontamentos e podia ter ido para outro local do estádio, não dispensando que a RTP apresentasse essa queixa junto da Liga Portugal.
Então a questão que se coloca, é como é que esse estádio tem licenciamento para jogos da liga profissional? Se calhar nem para ligas amadoras de escalões nacionais devia ser licenciado.
Permitam-me o double post, mas, segundo o que apurei, há órgãos de comunicação social que já fizeram queixa, mais do que uma vez, das condições para a imprensa no Estádio José Gomes.
O que fez a Liga de Clubes?
Nada.
O que fez o Estrela da Amadora?
Em vez de dotar a zona de imprensa de melhores condições, após as queixas, instalaram um novo ecrã gigante.
Quando fui, na época passada, fazer o Estrela vs Farense ao Estádio José Gomes, tínhamos um vidro que ainda separava “minimamente” a zona de imprensa da bancada. Entretanto, o vidro partiu-se e já não há vidro.
Quando fui fazer o U. Leiria vs Portimonense SAD esta época, reparei que a zona das tomadas, por baixo das mesas de trabalho, tinha cedido.
Já para não falar que, na zona onde fica a Sport TV (que é diferente da zona da restante imprensa), a Sport TV já ameaçou fazer queixa à Liga por ausência de condições de SEGURANÇA para os jornalistas e operadores de câmera.
Acredito que até na Liga de Marrocos não existam estádios com condições tão precárias como na Amadora.
É o que é.
Posto isto, se dúvidas existissem, ainda aplaudo mais a decisão do João Correia (e não foi a primeira vez que o fez).