“Yagi”, quantas n redes DAB+ podiam ser implementadas em Portugal continental e insular (todo o território) com as verbas investidas em retransmissores locais, de cobertura limitada, não pertencentes a uma infraestrutura planeada de raiz para a melhor otimização, que não resolve a situação de distribuição de sinal para todo o território?
Temos vindo a assistir nos últimos 15 anos a uma aposta forte e crescente dos países europeus na tecnologia digital terrestre para distribuição de sinal de rádio. Por cá investe-se na tecnologia analógica FM, de 1934 (portanto, “ultra-sofisticada”), sem sequer ser desenhada como infraestrutura para todo o território e sem atender (dar resposta) às demandas do setor. Remendos, uns atrás dos outros com custos elevados e múltiplas contrariedades, sem resolver o problema do território como um todo.
Recordo que, na altura, notícia na imprensa local, o retransmissor da atual M80 Coimbra, 98.4, com uma cobertura deficitária, incluindo o próprio concelho, foi vendido à Media Capital Rádios (atualmente, Bauer) por 600 mil euros (transposto para hoje seria mais). Quantos emissores locais foram adquiridos nas duas últimas décadas com a finalidade de retransmissor? Quanto tem vindo a ser gasto? Com essas verbas, teríamos ou não uma rede DAB+ operacional para todo o território e, possivelmente, com sobra de custos? Enfim, navega-se à vista…
Eu não estou por dentro do "mundo da rádio", certamente haverá neste fórum membros por dentro do negócio da rádio. Já confessei a minha admiração pelo facto de certas rádios andarem a gastar dinheiro a comprar rádios locais com 500W e 1000W e cujas frequências até são fortemente interferidas quando deveriam investir em tecnologia atual.
Tenho lutado pela introdução do DAB+ através da ANACOM e dos blogues porque acho que o nosso país ficará a perder se não adotar o DAB+. Como afirmei neste post: https://dabportugal.blogspot.com/2025/12/governo-desistiu-da-radio-digital.html
, acredito que a principal razão para as rádios nacionais não quererem o DAB+ é o receio de haver mais concorrência.
Um emissor DAB+ de 1Kw (PAR) completo (emissor, filtro mascara, antena e cabos) pode custar 9000-19000 Euros. Com a poupança na fatura elétrica rapidamente fica pago. Depois, como várias rádios partilham o mesmo emissor (multiplex) o custo dos emissores e de todos os outros equipamentos (AC, UPS,...) é repartido por várias rádios. Portanto até muitas rádios locais teriam possibilidade de estar no DAB+, como está a acontecer em vários países. Há já uns largos anos soube de uma rádio local que serve a zona de Coimbra que faturava cerca de 150.000 Euros/mês em publicidade, portanto... Se não há dinheiro possivelmente houve má gestão, como se veio a saber aconteceu com a TSF.
Creio que parte da resistência é motivada pelo facto das rádios já terem investido tanto na compra de alvarás FM locais e de Portugal ser um país de capelinhas. Somos um país em que ninguém se entende e cada um puxa para seu lado. O Estado e o regulador, que deveriam assumir um papel ativo, têm sido meros cata-ventos, incapazes de tomar decisões que vão contra interesses privados influentes. Veja-se a trapalhada com os testes DAB+ que pelos vistos nunca se materializarão.
Como o DAB+ pode ser utilizado pela Proteção Civil, escrevi ao Governo e ao PS para tentar sensibiliza-los e sugeri apoios para ajudar as rádios a suportar os custos com o DAB+ enquanto durasse o simulcast com o FM.
Creio, como sugeri, que a ANACOM já deveria ter realizado um debate sobre o DAB+ com as rádios e experts internacionais. E posteriormente o Governo deveria reunir com as rádios ou seus representantes para obter feedback. Uma coisa é certa, se as rádios privadas de cobertura nacional (ou quase nacional) continuassem a recusar o DAB+ a rádio pública deveria mesmo assim avançar. Se quiserem ficar de fora é abrir concurso internacional e colocar lá rádios estrangeiras.
Nesta fase de enorme impasse, à semelhança da espanhola RTVE, a nossa RTP - sendo pública - deveria assumir a iniciativa de avançar com testes em DAB+ (tal como o fez com o anterior DAB por ocasião da EXPO), dado que até tem a melhor rede nacional de FM, que poderia também emitir em digital. Deste modo, julgo que face aos grandes benefícios da emissão digital, paulatinamente, a RTP iria aumentar exponencialmente o número de ouvintes que, certamente, optariam (caso já tenham acesso no automóvel ou em casa) por esta tecnologia. Num futuro, as torres da RTP albergariam também as rádios privadas, ajudando a própria RTP a reduzir a fatura que, só por si já seria inferior ao que existe na atualidade. As potências de emissão em FM poderiam continuar em
simulcast com o DAB+ e reduzirem, gradualmente, a potência atendendo à existência de digital simultâneo.
Sou favorável a que sejam contratados técnicos/especialistas com credenciada experiência (por exemplo dos Países Baixos) - dado o nosso manifesto atraso no digital - que planeiem as redes em Portugal nacionais/regionais/locais. Gastamos tanto dinheiro mal gasto, como diz
Yagi, que quaisquer "trocados" para efetuar testes piloto em DAB+ seriam migalhas...
O que não compreendo, de todo, é que responsáveis políticos afirmem ações e, mantendo-se num mesmo governo, nada produzam como efeito...