Autor Tópico: Futuro da Rádio em Portugal  (Lida 13286 vezes)

joao_s

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #105 em: Agosto 04, 2021, 10:36:40 pm »
A questão da Antena 2 tenho consciência que é bastante polémica, sim! Dou nota de que sou ouvinte de ambas as rádios, aliás, eu procuro picar várias frequências para "saber" do que falo e me cultivar. E posso dizer que, em viagens de maior dimensão, onde gosto de estar bem concentrado, escuto a Smooth FM. Já a Antena 2 oiço pelo menos 2 a 3 vezes por semana, ao deitar ou até quando estou a trabalhar. Acho que todos concordamos que a Antena 2 não está bem de saúde. Também acho que todos concordamos que a Smooth é um projeto com imensa qualidade, mas que padece de um problema significativo que é a parca rede de emissores. Em Portugal, a dado momento diabolizou-se as parcerias público-privadas, por razões que se prendem com gestão danosa. Mas quando uma PPP é bem feita, pode ser deveras interessante. E aqui parece-me o caso. A estação pública tem a rede de emissores e não tem projeto, a Smooth tem projeto mas tem a rede de emissores. A Antena 2, só com música clássica, torna-se redutora. Daí que tenha, paulatinamente, procurado integrar na sua oferta o Jazz. Já a Smooth ganharia outro tipo de ouvintes se fosse intercalando na sua oferta música clássica. As duas emissoras juntas, a nível nacional, correspondem a 2% de share. Se ambas as rádios devem emitir em território nacional integralmente? Devem! Sendo uma oferta bastante diferenciada, acredito que adviriam todas as vantagens de uma relação deste tipo, que como referi seria vantajosa para as duas partes. Por outro lado, em caso algum estariamos a falar de uma PRIVATIZAÇÃO da Antena 2. A propriedade e controlo são do Estado, a gestão da programação seria sempre da Smooth, que teria de incluir, com total liberdade uma quota a definir de clássica (por exemplo 1/2 peças por hora ou painel dedicado diário). Não é inovar, é juntar dois géneros que ligam bem, dando músculo a uma rádio que tem espírito e espirito a uma que tem o esqueleto. As coisas não têm de ficar sempre iguais ad eternum! Ah, e claro está que, para que para dançar o tango, são precisos dois.

Tudo o que aqui escrevemos são ideias. Não passam disso. A menos que quer o Senhor quer eu sejamos da ERC, o que não é o caso, ou da adminsitração de alguma das rádios, o que penso também não ser. Não estou portanto, a fazer qualquer provocação, apenas a lançar a terreiro uma ideia. Pode ter ou não virtudes, admito que sim!

Exceptuando o ponto da A2/Smooth, que é mais discutível, falta de viabilidade tem a situação atual, onde há uma cacofonia no espectro radioeletetrico com 1001 frequências, a maioria das quais fantasma, que são meros receptários de receitas de publicidade. É isso que pretendemos? Ter o Spotify a debitar música para um emissor FM? Ou queremos uma oferta abrangente, que alcane o máximo possível de público? É que eu não posso, mas a ERC pode mudar o jogo! Ou vamos esperar e assistir sentados ao definhar de um modelo de locais, ao serviço público e, com um bocado de sorte, aos dois grupos privados que subsistem, também eles com dificuldades?

Penso ser essa a reflexão que se impõe!

“pdfn”, coloca o foco da sua reflexão no campo das ideias e acho que esse deve ser o ponto da discussão. Participo neste fórum como ouvinte, não existe qualquer relação profissional da minha parte com o meio da radiodifusão, nem com qualquer tipo de entidade reguladora.

Discordo dos seus pontos de vista, vamos por partes:

i) A parceria público-privada para mesclar a ‘SmoothFM’ com a estatal ‘Antena 2’ parece-me uma ideia “demasiado fora da caixa”. Faz-me lembrar um cientista que realiza uma experiência num laboratório e explode com esse laboratório. Neste caso, é para explodir com a ‘SmoothFM’, não vai resultar. Testar outro tipo de produto, quiçá… com este acho um erro irreversível, o risco é muito elevado. A ‘SmoothFM’ tem muito potencial para explorar e padece de dois problemas: baixo investimento em recursos humanos, que, a ser feito, resultaria num projeto uma de excelência; o outro, a parca rede de emissores, que não se resolve com PPP que impõem restrições e falta de liberdade criativa, mas resolve-se com o DAB+, um trunfo da MCR para esta tecnologia emergente.

ii) Não é viável investir milhões numa tecnologia obsoleta, nem que seja para reorganizar o espetro radioelétrico, quando existe uma tecnologia emergente que está a ser disseminada em toda e Europa. Mas tarde ou mais cedo, chega até ao nosso país. Vão-se investir milhões em algo ultrapassado, para quê? O DAB+ soluciona todas as questões que coloca e muitas mais. A questão dos recetores e preços não se coloca para o setor automóvel, qualquer veículo novo que adquira tem integrado de série um recetor de DAB+. Coloco a questão nestes termos: “os nossos concidadãos europeus andam em carros voadores, nós em carroças puxadas por mulas”. É essa a visão que tem para o nosso país?

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #106 em: Agosto 05, 2021, 12:56:41 am »


“pdfn”, coloca o foco da sua reflexão no campo das ideias e acho que esse deve ser o ponto da discussão. Participo neste fórum como ouvinte, não existe qualquer relação profissional da minha parte com o meio da radiodifusão, nem com qualquer tipo de entidade reguladora.

Discordo dos seus pontos de vista, vamos por partes:

i) A parceria público-privada para mesclar a ‘SmoothFM’ com a estatal ‘Antena 2’ parece-me uma ideia “demasiado fora da caixa”. Faz-me lembrar um cientista que realiza uma experiência num laboratório e explode com esse laboratório. Neste caso, é para explodir com a ‘SmoothFM’, não vai resultar. Testar outro tipo de produto, quiçá… com este acho um erro irreversível, o risco é muito elevado. A ‘SmoothFM’ tem muito potencial para explorar e padece de dois problemas: baixo investimento em recursos humanos, que, a ser feito, resultaria num projeto uma de excelência; o outro, a parca rede de emissores, que não se resolve com PPP que impõem restrições e falta de liberdade criativa, mas resolve-se com o DAB+, um trunfo da MCR para esta tecnologia emergente.

ii) Não é viável investir milhões numa tecnologia obsoleta, nem que seja para reorganizar o espetro radioelétrico, quando existe uma tecnologia emergente que está a ser disseminada em toda e Europa. Mas tarde ou mais cedo, chega até ao nosso país. Vão-se investir milhões em algo ultrapassado, para quê? O DAB+ soluciona todas as questões que coloca e muitas mais. A questão dos recetores e preços não se coloca para o setor automóvel, qualquer veículo novo que adquira tem integrado de série um recetor de DAB+. Coloco a questão nestes termos: “os nossos concidadãos europeus andam em carros voadores, nós em carroças puxadas por mulas”. É essa a visão que tem para o nosso país?

Caro João,

Eu percebi que também, tal como eu, era ouvinte. Por isso escrevi o que escrevi... ;D ;D

Quanto aos pontos em si mesmo, uma ressalva prévia: claro que o DAB +, nem que fosse nos três grupos (R/Com, MCR e RDP) solucionaria todos estes problemas. Só que, tal como já tive oportunidade de escrever aqui, garantidamente até ao final de 2030 não vamos ter essa migração. Existiam conversações avançadas entre a academia e os operadores para incluir verbas para a aquisição dos emissores no PRR aka Bazuca, bem como para fazer um projeto Mobilizador de grandes dimensões no âmbito das Agendas Estratégicas que estão a concurso até 30/09, mas a montanha pariu 0 euros e zero cêntimos. Ao que consta, não houve vontade de investir na área das telecomunicações (o 5G é outro parente que ficou a ver navios).

Posto isto, tenhamos consciência, pelo menos 10 anos disto, que serão seguramente mais, implicaria mexer no que temos. 15 anos (10+5 para implementar) não é, nem de longe nem de perto provisório. Até lá, vamos continuar a assistir a locais moribundas, a compras e esquemas para emitir redes que são verdadeiras nacionais, a um serviço público a cair de caruncho, etc, etc. Claro que a A2 (bem como a A1 e ainda mais a A3) necessitam de um novo rumo, de um projeto. E era isso que um projeto como a Smooth poderia dar a 2. Por seu lado, a 2 dava-lhe os emissores de que teria falta. Com 1,3 de audiência torna-se dificil a uma administração investir numa rede de emissores, seja na situação atual (por aquisições) ou numa hipotética reorganização. Mais a mais, como diz e bem, haveremos de passar para o DAB + onde não existem esses constrangimentos e, como tal, uma solução não definitiva agradaria a todas as partes. O produto fora da caixa de que fala... bom, a própria A2 já conjuga Clássica com Jazz, a BBC Radio 3 também, e a RNE Clássica pelo que investiguei também já vai nadando para fora de pé. De forma alguma rebentaria com a Smooth, pois a exploração ficaria integralmente a cargo da MCR, quanto muito, os noticiários poderiam ser feitos pela RDP. Era apenas e só criação de sinergias para apresentar um produto forte. Se pegasse, mais adiante, poderiamos avaliar a pertinência de o Estado manter uma rádio clássica ou se pode usar essa rede para fins que, de facto, não agradem às privadas. Daí que tenha, também sugerido, a transformação radical do projeto da 3, pois no segmento em que opera, o privado tem interesse. Existência de regulação? Sem dúvida, todos admitimos que é o que falta, mas regulação útil, não como a que temos agora, que regula o acessório e esquece o fundamental.
Espero que tenha ficado esclarecido. É sempre bom este debate!
« Última modificação: Agosto 05, 2021, 12:59:01 am por pdnf »

Atento

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #107 em: Agosto 05, 2021, 05:37:37 am »
Temos, portanto, um parque jurássico FM por mais algumas décadas.

Neste sentido, convém escolher alguém que perceba de dinossauros...

joao_s

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #108 em: Agosto 05, 2021, 07:37:53 pm »
Caro João,

Eu percebi que também, tal como eu, era ouvinte. Por isso escrevi o que escrevi... ;D ;D

Quanto aos pontos em si mesmo, uma ressalva prévia: claro que o DAB +, nem que fosse nos três grupos (R/Com, MCR e RDP) solucionaria todos estes problemas. Só que, tal como já tive oportunidade de escrever aqui, garantidamente até ao final de 2030 não vamos ter essa migração. Existiam conversações avançadas entre a academia e os operadores para incluir verbas para a aquisição dos emissores no PRR aka Bazuca, bem como para fazer um projeto Mobilizador de grandes dimensões no âmbito das Agendas Estratégicas que estão a concurso até 30/09, mas a montanha pariu 0 euros e zero cêntimos. Ao que consta, não houve vontade de investir na área das telecomunicações (o 5G é outro parente que ficou a ver navios).

Posto isto, tenhamos consciência, pelo menos 10 anos disto, que serão seguramente mais, implicaria mexer no que temos. 15 anos (10+5 para implementar) não é, nem de longe nem de perto provisório. Até lá, vamos continuar a assistir a locais moribundas, a compras e esquemas para emitir redes que são verdadeiras nacionais, a um serviço público a cair de caruncho, etc, etc. Claro que a A2 (bem como a A1 e ainda mais a A3) necessitam de um novo rumo, de um projeto. E era isso que um projeto como a Smooth poderia dar a 2. Por seu lado, a 2 dava-lhe os emissores de que teria falta. Com 1,3 de audiência torna-se dificil a uma administração investir numa rede de emissores, seja na situação atual (por aquisições) ou numa hipotética reorganização. Mais a mais, como diz e bem, haveremos de passar para o DAB + onde não existem esses constrangimentos e, como tal, uma solução não definitiva agradaria a todas as partes. O produto fora da caixa de que fala... bom, a própria A2 já conjuga Clássica com Jazz, a BBC Radio 3 também, e a RNE Clássica pelo que investiguei também já vai nadando para fora de pé. De forma alguma rebentaria com a Smooth, pois a exploração ficaria integralmente a cargo da MCR, quanto muito, os noticiários poderiam ser feitos pela RDP. Era apenas e só criação de sinergias para apresentar um produto forte. Se pegasse, mais adiante, poderiamos avaliar a pertinência de o Estado manter uma rádio clássica ou se pode usar essa rede para fins que, de facto, não agradem às privadas. Daí que tenha, também sugerido, a transformação radical do projeto da 3, pois no segmento em que opera, o privado tem interesse. Existência de regulação? Sem dúvida, todos admitimos que é o que falta, mas regulação útil, não como a que temos agora, que regula o acessório e esquece o fundamental.
Espero que tenha ficado esclarecido. É sempre bom este debate!

Caro “pdfn”, se a informação que veicula for fidedigna, então perspetiva-se o futuro com os olhos postos no passado, isto é, nada de novo se afigura e esta é mais uma oportunidade perdida para a desejada renovação/reinvenção da rádio portuguesa. Por outro lado, vamos ficando cada vez mais para trás numa União Europeia, repito a palavra União, em que Portugal estagna em matéria de radiodifusão face aos a tantos outros países da Europa, incluindo os pequenos e com menor população que o nosso. O DAB+ seria a oportunidade para esse arejamento e renovação que são necessários. Com dois multiplexadores nacionais consegue-se disponibilizar uma generosa oferta de 25 estações de rádio, isto com a qualidade apregoada para esta tecnologia, diversidade mais que suficiente para agradar a diferentes públicos e evitar que os mesmos se desliguem deste meio, optando por outros. Muitos países já o fizeram, França vai começar em outubro deste ano e concluir o processo em 2029. Estamos na cauda deste processo, pior nem sequer estamos. Um vazio que faz lembrar o terceiro mundo em matéria de avanço tecnológico.

Não fundamenta quem paga uma reorganização do espetro radioelétrico no FM, uma tecnologia a prazo e obsoleta. Falta dinheiro para a rádio, de onde provém essa chuva de milhões para esse projeto megalómano, condenado a prazo?

Porque motivo quer ver uma parceria entre a MCR e o grupo estatal RTP? Então, e os outros grupos privados ficam de fora, porquê? Isto não faz nenhum sentido. Uma parceria entre a ‘SmoothFM’ e a ‘Antena 2’ acaba em fuzilamento da ‘SmoothFM’. A ‘SmoothFM’ não é, nem nunca foi, uma rádio erudita; a ‘SmoothFM’ não é, nem nunca foi, uma rádio de Jazz. O que refere não tem nenhuma lógica, nem sentido, nem resolve coisa nenhuma.

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #109 em: Novembro 06, 2021, 09:15:11 pm »
Sobre o futuro da rádio em Portugal... sei que uma andorinha não faz a Primavera. Mas fiquei muito triste por me aperceber, em conversa com uma locutora que está em antena numa nacional (6 + associações de locais), que a mesma não sabia que a rádio emitia em frequências distintas da de Monsanto no resto do país! Estão a ver porque não sou fã de pessoas que fazem rádio para dar o salto, mas que até têm talento e muito para estar lá? Mais, a locutora em questão, que não vou dizer o nome porque não interessa, nem sequer sabia que a rádio dela tinha dois emissores na região de Lisboa, a ajudar Monsanto!

A minha pergunta é: o que se ensina nas Escolas de Comunicação Social neste país? Pelo menos na Universidade do Porto, o departamento de Telecomunicações da FEUP é um dos quatro responsáveis pelo curso, sei que têm noções básicas de rádio nessa parte.

Para além disso, até eu que sou um leigo nestes assuntos, mas que tinha alguma curiosidade pelo meio em miúdo, sabia as frequências das nacionais daqui do Porto: 92.5, 93.7, 96.7, 97.7, 104.1, 105.3.

Não interpretem este desabafo como sendo por ser de Lisboa, o resto do país é paisagem. É mais, porque raio não sabe isso? É o básico dos básicos!

Memorias da Radio

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #110 em: Novembro 07, 2021, 09:34:31 am »
Sobre o futuro da rádio em Portugal... sei que uma andorinha não faz a Primavera. Mas fiquei muito triste por me aperceber, em conversa com uma locutora que está em antena numa nacional (6 + associações de locais), que a mesma não sabia que a rádio emitia em frequências distintas da de Monsanto no resto do país! Estão a ver porque não sou fã de pessoas que fazem rádio para dar o salto, mas que até têm talento e muito para estar lá? Mais, a locutora em questão, que não vou dizer o nome porque não interessa, nem sequer sabia que a rádio dela tinha dois emissores na região de Lisboa, a ajudar Monsanto!

A minha pergunta é: o que se ensina nas Escolas de Comunicação Social neste país? Pelo menos na Universidade do Porto, o departamento de Telecomunicações da FEUP é um dos quatro responsáveis pelo curso, sei que têm noções básicas de rádio nessa parte.

Para além disso, até eu que sou um leigo nestes assuntos, mas que tinha alguma curiosidade pelo meio em miúdo, sabia as frequências das nacionais daqui do Porto: 92.5, 93.7, 96.7, 97.7, 104.1, 105.3.

Não interpretem este desabafo como sendo por ser de Lisboa, o resto do país é paisagem. É mais, porque raio não sabe isso? É o básico dos básicos!

pdnf, isso não é um caso isolado. Posso garantir-te que a generalidade dos locutores em Lisboa não sabe a esmagadora maioria das frequências que têm quando falamos de cobertura nacional. Se perguntares a alguém da Comercial qual é a frequência que eles usam na Serra das Meadas só o Pedro Ribeiro, o Nuno Markl e possivelmente a Rita Rugeroni sabem responder e pouco mais. Da M80 podem até nem sequer saber de uma série delas e que há emissões locais...

Aqui não sendo tanto a obrigação deles, acharia talvez relevante conhecer, afinal falamos da nossa casa onde trabalhamos e da camisola que vestimos. Se isto fosse nos anos 90 em que se assinalava emissores em baixo e questões nos emissores e coisas que tais, e alternativas de escuta, estavam tramados. Como já não é e já não me lembro da última vez que uma rádio o fez, exceção ao Pedro Ribeiro que em plenas manhãs informa tudo o que se passa (RDS, emissores, etc) porque tem nitidamente gosto, na generalidade ninguém quer saber. E centralismo também é isso.

« Última modificação: Novembro 07, 2021, 09:36:28 am por Memórias da Rádio »

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #111 em: Novembro 07, 2021, 03:39:35 pm »
Sobre o futuro da rádio em Portugal... sei que uma andorinha não faz a Primavera. Mas fiquei muito triste por me aperceber, em conversa com uma locutora que está em antena numa nacional (6 + associações de locais), que a mesma não sabia que a rádio emitia em frequências distintas da de Monsanto no resto do país! Estão a ver porque não sou fã de pessoas que fazem rádio para dar o salto, mas que até têm talento e muito para estar lá? Mais, a locutora em questão, que não vou dizer o nome porque não interessa, nem sequer sabia que a rádio dela tinha dois emissores na região de Lisboa, a ajudar Monsanto!

A minha pergunta é: o que se ensina nas Escolas de Comunicação Social neste país? Pelo menos na Universidade do Porto, o departamento de Telecomunicações da FEUP é um dos quatro responsáveis pelo curso, sei que têm noções básicas de rádio nessa parte.

Para além disso, até eu que sou um leigo nestes assuntos, mas que tinha alguma curiosidade pelo meio em miúdo, sabia as frequências das nacionais daqui do Porto: 92.5, 93.7, 96.7, 97.7, 104.1, 105.3.

Não interpretem este desabafo como sendo por ser de Lisboa, o resto do país é paisagem. É mais, porque raio não sabe isso? É o básico dos básicos!

pdnf, isso não é um caso isolado. Posso garantir-te que a generalidade dos locutores em Lisboa não sabe a esmagadora maioria das frequências que têm quando falamos de cobertura nacional. Se perguntares a alguém da Comercial qual é a frequência que eles usam na Serra das Meadas só o Pedro Ribeiro, o Nuno Markl e possivelmente a Rita Rugeroni sabem responder e pouco mais. Da M80 podem até nem sequer saber de uma série delas e que há emissões locais...

Aqui não sendo tanto a obrigação deles, acharia talvez relevante conhecer, afinal falamos da nossa casa onde trabalhamos e da camisola que vestimos. Se isto fosse nos anos 90 em que se assinalava emissores em baixo e questões nos emissores e coisas que tais, e alternativas de escuta, estavam tramados. Como já não é e já não me lembro da última vez que uma rádio o fez, exceção ao Pedro Ribeiro que em plenas manhãs informa tudo o que se passa (RDS, emissores, etc) porque tem nitidamente gosto, na generalidade ninguém quer saber. E centralismo também é isso.

Por todas as razões e mais algumas, mas principlamente pela má imagem que dá da empresa, fica muito mal isso acontecer. Repara, eu não digo que tenham de saber as frequências de cabeça, há quem as saiba, mas há mínimos. Não saber que as frequências são diferentes ao longo do território, é só um bocado mau demais e acho que isso não tem tanto que ver com o centralismo, mas sim com lacunas na formação. De qualquer das formas, é pessoal com fraca memória, pois passam tantas vezes ao longo da emissão...

Não tinha noção que o panorama estava assim ao nível das rádios adultas. Aí pensei que a coisa estivesse melhor. Nas jovens, enganos nas frequências e mesmo na geografia são por demais. Na Mega, por exemplo, só a Maria e principalmente a Catarina é que cantam as frequências na ponta da língua. De resto, enganos é o que mais há. A melhor que ouvi foi a Teresa Oliveira referir no ar que "estás a ouvir a Mega em Estremoz em... 92.7!", na frequência de Aveiro! Confundiu Estremoz com Estarreja! Pior é que essa gafe foi para vídeo no IG TV da Mega, avisei da asneira, dois dias depois lá substituiram o video, cortando essa parte.

À Laura, num qualquer podcast fizeram-lhe esse desafio e a coisa descambou, para lá dos 107.2 e dos 101.0.
« Última modificação: Novembro 07, 2021, 03:42:52 pm por pdnf »

Zeca 2021

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #112 em: Novembro 07, 2021, 07:43:45 pm »
Sobre o futuro da rádio em Portugal... sei que uma andorinha não faz a Primavera. Mas fiquei muito triste por me aperceber, em conversa com uma locutora que está em antena numa nacional (6 + associações de locais), que a mesma não sabia que a rádio emitia em frequências distintas da de Monsanto no resto do país! Estão a ver porque não sou fã de pessoas que fazem rádio para dar o salto, mas que até têm talento e muito para estar lá? Mais, a locutora em questão, que não vou dizer o nome porque não interessa, nem sequer sabia que a rádio dela tinha dois emissores na região de Lisboa, a ajudar Monsanto!

A minha pergunta é: o que se ensina nas Escolas de Comunicação Social neste país? Pelo menos na Universidade do Porto, o departamento de Telecomunicações da FEUP é um dos quatro responsáveis pelo curso, sei que têm noções básicas de rádio nessa parte.

Para além disso, até eu que sou um leigo nestes assuntos, mas que tinha alguma curiosidade pelo meio em miúdo, sabia as frequências das nacionais daqui do Porto: 92.5, 93.7, 96.7, 97.7, 104.1, 105.3.

Não interpretem este desabafo como sendo por ser de Lisboa, o resto do país é paisagem. É mais, porque raio não sabe isso? É o básico dos básicos!

pdnf, isso não é um caso isolado. Posso garantir-te que a generalidade dos locutores em Lisboa não sabe a esmagadora maioria das frequências que têm quando falamos de cobertura nacional. Se perguntares a alguém da Comercial qual é a frequência que eles usam na Serra das Meadas só o Pedro Ribeiro, o Nuno Markl e possivelmente a Rita Rugeroni sabem responder e pouco mais. Da M80 podem até nem sequer saber de uma série delas e que há emissões locais...

Aqui não sendo tanto a obrigação deles, acharia talvez relevante conhecer, afinal falamos da nossa casa onde trabalhamos e da camisola que vestimos. Se isto fosse nos anos 90 em que se assinalava emissores em baixo e questões nos emissores e coisas que tais, e alternativas de escuta, estavam tramados. Como já não é e já não me lembro da última vez que uma rádio o fez, exceção ao Pedro Ribeiro que em plenas manhãs informa tudo o que se passa (RDS, emissores, etc) porque tem nitidamente gosto, na generalidade ninguém quer saber. E centralismo também é isso.

Por todas as razões e mais algumas, mas principlamente pela má imagem que dá da empresa, fica muito mal isso acontecer. Repara, eu não digo que tenham de saber as frequências de cabeça, há quem as saiba, mas há mínimos. Não saber que as frequências são diferentes ao longo do território, é só um bocado mau demais e acho que isso não tem tanto que ver com o centralismo, mas sim com lacunas na formação. De qualquer das formas, é pessoal com fraca memória, pois passam tantas vezes ao longo da emissão...

Não tinha noção que o panorama estava assim ao nível das rádios adultas. Aí pensei que a coisa estivesse melhor. Nas jovens, enganos nas frequências e mesmo na geografia são por demais. Na Mega, por exemplo, só a Maria e principalmente a Catarina é que cantam as frequências na ponta da língua. De resto, enganos é o que mais há. A melhor que ouvi foi a Teresa Oliveira referir no ar que "estás a ouvir a Mega em Estremoz em... 92.7!", na frequência de Aveiro! Confundiu Estremoz com Estarreja! Pior é que essa gafe foi para vídeo no IG TV da Mega, avisei da asneira, dois dias depois lá substituiram o video, cortando essa parte.

À Laura, num qualquer podcast fizeram-lhe esse desafio e a coisa descambou, para lá dos 107.2 e dos 101.0.
Pobre coitas. As miúdas nunca saíram de Lisboa e arredores e lá sabem elas onde fica Estarreja.
Por norma, para um liasboeta só há 5 zonas: Lisboa e depois dizem que foram ao Norte, Centro, Alentejo e Algarve, sem nunca referirem o nome de nenhuma cidade. È inacreditavel a dificuldade que têm em referir nomes de cidades ou concelhos.
Se forem ao Porto dizem que foram ao Norte, por exemplo. Habitos imperialistas que passaram de geração em geração.
O centralismo bacoco destas radios jovens da Capital dá nisso.

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #113 em: Novembro 08, 2021, 12:57:21 am »
Pobre coitas. As miúdas nunca saíram de Lisboa e arredores e lá sabem elas onde fica Estarreja.
Por norma, para um liasboeta só há 5 zonas: Lisboa e depois dizem que foram ao Norte, Centro, Alentejo e Algarve, sem nunca referirem o nome de nenhuma cidade. È inacreditavel a dificuldade que têm em referir nomes de cidades ou concelhos.
Se forem ao Porto dizem que foram ao Norte, por exemplo. Habitos imperialistas que passaram de geração em geração.
O centralismo bacoco destas radios jovens da Capital dá nisso.

Zeca, é a própria organização do território que incentiva isso. Repara, as 5 regiões administrativas atuais são Lisboa e Valedo Tejo (minúscula), Norte, Centro, Alentejo e Algarve. Sim, é um problema grave esta macrocefalia que existe em Portugal que nos vai fazer não sair da cepa torta.

Não obstante este reparo, o caso que contei da Teresa foi (muito) mau, foi, mas não o atribuo a centralismo. Aliás, o que queria focar, fundamentalmente, era o erro da frequência, que nem sequer existe e que não é próxima da de Aveiro (96.5). O que considero grave para alguém que trabalha em rádio. É normal que conheçamos melhor as terras e municípios mais próximos de nós. Eu, portuense, fecho os olhos e canto decor os municípios do distrito do Porto, de seguida os de Braga, Aveiro, Viana e Coimbra. A partir daí a coisa fica mais difícil e para o Alentejo então, há alguns que facilmente confundo se são de Évora ou Portalegre, por exemplo. A proximidade geográfica ao território faz-nos conhece-lo melhor. Portanto, não estranho que alguém do sul troque Estarreja por Estremoz, embora considere que não o devesse fazer, até porque ambas as terras são conhecidas ao extremo, pelo Carnaval e pela mármore. Aliás, a Teresa não é lisboeta, é cartaxeira e de mania de menina vazia de Lisboa não tem nada.

Também dei o caso da Laura, que faz emissão em Lisboa, mas cantou logo as frequências do Porto (107.2 e 101.0) e a partir daí foi água em toda a linha. Claramente, nós sabemos o que diz respeito à nossa terra. A mim, pouco me interessa o que se passa em Lisboa para lá dos Palácios de São Bento e Belém, que têm ""jurisdição"" nacional.