Autor Tópico: Rádio Jornal de Setúbal - 88,6 MHz  (Lida 6129 vezes)

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Re: Rádio Jornal de Setúbal - 88,6 MHz
« Responder #15 em: Outubro 23, 2025, 04:20:31 pm »
A RJS é infelizmente a este ponto a suprema representação em Portugal de ao que a teimosia e carolice podem chegar. A esta altura não conheço nenhuma outra estação que emita em condições tão deficitárias, penso mesmo que sejam os piores em todo o país neste ponto, tudo somado. Uma vergonha.

É um povo (o de Setúbal cidade) que eu não compreendo, nunca compreenderei, por estas e por muitas outras razões, para ser... sucinto.

Jornal de Setúbal multada pela ERC, nem umas emissões consegue gravar:

https://www.erc.pt/document.php?id=NWIxZjljNDUtZmMwYy00NjEwLTllNjctYjk0NGNkNGVhMTVj

Além disso, a ERC menciona que na visita às instalações, os equipamentos são extremamente obsoletos.

De facto, mesmo com uma Antena 2 em condições de emissão deficitárias, desta frequência, não chega sinal decente a Lisboa, para não dizer que chega nada, porque na prática é mais isso.

O estúdio em si enquanto espaço reservado nem é muito mau, o isolamento de parede é ou era bom, o problema é o recheio.

Os equipamentos de emissão são, de facto, obsoletíssimos, e até vou avançar aqui com alguns detalhes que com 150% de certeza não mudaram desde a última vez que tomei conhecimento destes factos:

- o equipamento de monitorização da emissão FM é um rádio "boombox" da 2a metade dos anos 90, todo rafado das colunas, em que quando um ouvinte vai lá e critica o som, ligam o rádio e dizem "mas o som está bom!" (juro);
- o computador de emissão tem ou tinha um monitor 4:3 LCD que predata ao início dos anos 2000, corre o Windows XP com as definições de performance ativadas (e já atualizado, porque antes corria o 98), e um software de emissão igualmente muito desatualizado. Não será mais que um Pentium 4, de 2003/2004, o computador que lá está, um guerreiro autêntico com cerca de 20 anos ou mais;
- Ainda existem MiniDisc e um leitor de MiniDisc no rack que está no estúdio da RJS, embora teoricamente o leitor de MD estivesse já avariado;
- O sistema de gravação está "avariado" porque era feito num disco mecânico antigo que entretanto avariara há bastante - o tempo médio de vida deles ronda os 10 anos, máximo 12/15, acho que isso diz tudo;
- O estúdio é globalmente mal iluminado, entra ou entrava mesmo frio para o estúdio a partir da caixilharia de alumínio, e a mesa de emissão é outra relíquia que talvez tenha por volta dos 20 anos ou mais;
- O processador de emissão predata ou predatava ao final dos anos 90, quando existia e não estava avariado, e o emissor pela mesma bitola segue ou seguia;
- Os microfones não são muito maus, mas são material já com muita rodagem que terá por volta do mesmo tempo por esta altura e, sobretudo, não sofre o menor processamento. Microfone broadcast tem sempre que sofrer processamento, como bem se sabe... exceto para os responsáveis da RJS, que se borrifam olimpicamente nisso e não querem saber.

Existiram inúmeras iniciativas de digitalização desde 2004 até à presente data nas locais em que o Estado entrava com 50% do valor. Quando questionei sobre este ponto, há já uns bons anos, não só fui encarado como se fosse idiota e tivesse dito para matar três gatos, como me disseram que "não se metem nisso" porque "ainda criam dívidas e depois acaba a rádio". A torre de emissão opera só com o excitador há mais de 20 anos, e quando avariar avariou que "não há dinheiro para comprar outra". Ao que me constou, até ferrugem persistente já tem.

E assim vai a RJS.

Se uma autarquia, segundo vejo pelas atas de várias Câmaras Municipais, pode subsidiar associações e organizações diversas, seria bom que também pudesse "ajudar" as rádios locais que emitem nos respetivos concelhos, desde que não fossem meros repetidores de outras, ditas nacionais, e que respeitassem o que está legislado quanto ao teor das emissões locais e dos jornalistas contratados.
Assim, veríamos, certamente, equipamentos e emissões com qualidade mínima para que os reguladores não interviessem...

Por opção própria dos responsáveis da RJS, nem sequer nunca por uma só vez pediram subsidiação à Câmara porque alegam que isso obrigava a serem dependentes politicamente, e quem dirige não quer depender politicamente da Câmara Municipal. Não me parece o pior dos pontos, se ao menos as coisas fossem tratadas por eles próprios. Que não são.

Eu se fosse um responsável de rádio local tinha vergonha de ter a minha estação assim. Preferia demitir-me. Se alguma vez isto dava para mim. lol
« Última modificação: Outubro 23, 2025, 04:28:04 pm por Memorias da Radio »