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RNE Radio 3

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joao_s:
Para formarmos uma opinião minimamente consistente sobre a rádio portuguesa, convém ouvir o que se faz noutros países. Ao contrário da televisão do país vizinho, que tenho vindo a acompanhar desde 1983 (na altura, com 12 anos, irritava o meu pai quando andava no telhado a montar antenas e amplificadores, partindo-lhe as telhas da casa), não conheço a rádio espanhola porque não dispunha de sintonizadores com entrada coaxial, com os quais podia ouvir igualmente a rádio. Hoje seria diferente, já que disponho dos ditos equipamentos, um dos quais dispõe de duas entradas, antena A e antena B.

Encontro-me a ouvir a <RNE 3> (cultura contemporânea) há cerca de 2 horas, via web, e a opinião, até ao momento, é positiva. A palavra predomina, o radialista não é um figurante que se esconde atrás das músicas, pelo contrário é ele que domina o programa, não a música. Já ouvi BB King, Country, etc. e música que vai ao encontro dos meus gostos. Antes do espaço musical, um documentário sobre tecnologia, no qual ouvi a palavra Portugal duas vezes. Até aqui ao lado, “nuestros hermanos” fazem melhor do que nós…

Encontram-se vários estudos e relatórios sobre audiometria e modelos de rádios adotados em Espanha, mas estes são compartimentados em rádios generalistas ou temáticas, e não colocam as audiências absolutas em percentagem e numa mesma tabela.

Em Espanha, a entidade responsável pelos estudos de mercado designa-se “EGM/AIMC”. Um relatório genérico dos média em Espanha: basta consultar a secção de Rádio.

Também em Espanha a rádio tem perdido ouvintes para outros meios. Clique aqui.

Fazendo um cruzamento de dados, é possível chegar à seguinte listagem das rádios mais ouvidas na segunda vaga de 2018 (não encontrei percentagens até ao momento)

1) Cadena Ser (generalista) - 4,089 milhões de ouvintes
2) Los 40 (temática musical) – 2,810 milhões de ouvintes
3) Cope (generalista) 2,686 milhões de ouvintes
4) Cadena Dial (temática musical) – 2,106 milhões de ouvintes
5) Cadena 100 (temática musical) – 1,980 milhões de ouvintes
6) Onda Cero (generalista) – 1,939 milhões de ouvintes
7) EuropaFM (temática musical) – 1,634 milhões de ouvintes
8.) RNE (generalista) – 1,391 milhões de ouvintes

NOTA: O consumo maioritário de rádio em Espanha é feito pela via analógica. O consumo digital representa apenas 8%.
NOTA 2: A <RNE Radio 3> apresenta uns resultados pífios. Apenas 411 mil ouvintes.

Julio Carvalho:
Sem dúvida que em Espanha, apesar de um país tão próximo, a realidade das rádios é bem diferente.

Alguém, ouvindo as " nossas" rádios, seja A1, TSF ou RR, imagina que nos próximos dez anos, alguma delas pode ser líder da tabela de audiências?

 A culpa também não é só da Rádio, também é muito, das televisões informativas. Três ou quatro(  com o CMTV), que se repetem, que abusam das " notícias de ultima horas", dos mesmos comentadores, que discutem futebol até ao tutano., com tipos tresloucados aos berros. Ou seja, o cidadão português está farto de informação.

E olha para as rádios como tábua de salvação. Quer ouvir música e de manhã uns tipos que os façam rir. Este o paradigma português, que não será mudado na próxima década.

Em Espanha não há tantos canais de informação e acima de tudo, não tem estes canais de informação.

radiokilledtheMTVstar:

--- Citação de: joao_s em Outubro 28, 2018, 02:28:42 pm ---Encontro-me a ouvir a <RNE 3> (cultura contemporânea) há cerca de 2 horas, via web, e a opinião, até ao momento, é positiva. A palavra predomina, o radialista não é um figurante que se esconde atrás das músicas, pelo contrário é ele que domina o programa, não a música. Já ouvi BB King, Country, etc. e música que vai ao encontro dos meus gostos. Antes do espaço musical, um documentário sobre tecnologia, no qual ouvi a palavra Portugal duas vezes. Até aqui ao lado, “nuestros hermanos” fazem melhor do que nós…

--- Fim de Citação ---
João_s, já sei que a sua opinião sobre a RTP não é a melhor, mas é difícil dizer alguma coisa que a Radio 3 faça melhor do que nós. Concordo quando fala da apresentação mais cuidada das músicas e da histórias por detrás dos discos e dos artistas, mas é só isso.
A Radio 3 é um oásis na horrível rádio musical espanhola, que por muito que falem mal por cá da portuguesa, faz com que a RFM pareça ser de bom nível e a Comercial como uma rádio 5 estrelas, de tão repetitiva que é.
Mas está muito longe do público (aliás, é uma mixórdia de programas para vários públicos-alvo, muito porque a RNE 1 não pode passar música), não tem programas de humor ou sequer notícias, tem uma grelha com programas sempre a mudar e até pelo que li várias guerras internas entre as direcções e os locutores, com programas a serem atirados para as madrugadas (sim, porque a Radio 3 tem programas inéditos até às 5 da manhã todos os dias!). Quanto ao apoio à nova música espanhola, têm apenas um programa de maquetes chamado Capitán Demo e de resto estamos dependentes do que cada autor escolhe no seu programa. No Verão ouvia coisas que lá eram apresentadas como novidades mas que já passavam há meses na Antena 3... Ou seja, nada de bom.
Quando estamos em Espanha e queremos ouvir as rádios musicais por exemplo 14h, ou levamos com os mesmos hits de sempre ou logo praticamente com música experimental, não há um meio-termo. Com uma rádio como a Antena 3 (alternativa mas acessível a todos) em Espanha, esses resultados estariam longe de ser pífios. E a música alternativa espanhola ficaria muito mais a ganhar.

joao_s:
“radiokilledtheMTVstar”, antes de mais saúdo a sua presença neste fórum, assim como do participante “R4”. O contributo de ambos é, seguramente, uma mais-valia para este espaço, discussões inflamadas à parte.

Embora seja da opinião que o serviço público de radiodifusão tem o seu espaço na sociedade portuguesa (e no bloco em que nos situamos, em qualquer país da Europa civilizada), como  a “argamassa que junta os blocos”, ou seja, quem olha para o todo e procura filtrar o que se faz nas mais diversas áreas da sociedade e do mundo, um referencial sem intuitos comerciais, se assim o entender, julgo que a RTP-Radiodifusão fica aquém desse propósito (os resultados das audiências confirmam). No meu ponto de vista, em parte, o panorama radiofónico do país chegou a este ponto devido à ausência de projetos pertinentes e à inércia do serviço público. Ainda há a considerar uma diferença substancial do serviço público relativamente ao setor privado: no primeiro, os ouvintes são encarados como cidadãos, no segundo como consumidores.

Não tive tempo para formar uma opinião sobre a <RNE Radio 3> e, sim, à primeira vista parece que se ouve um aglomerado de programas diferentes entre si num curto espaço de tempo. Calhou hoje de manhã ouvir um documentário sobre tecnologia, R&B e rock progressivo. Do que ouvi, gostei.

Luis Carvalho:
Com efeito, o grande problema da RNE 3 é manter uma programação elitista que pouco tem a ver com o público jovem. E as escolhas musicais deixam muito a desejar. Podem criticar a Antena 3, mas a nossa rádio pública faz melhor com menos, no que diz respeito às selecção musical. Já que o caro João S. gosta de falar na BBC Radio 2, diria que mais valia mencionar os exemplo da BBC Radio 1 (música mais comercial) e da BBC Radio 6 (música mais alternativa). Voltando à Antena 3, a nossa estação passa (pelo menos no "Indigente") o "As a man" da Anna Calvi ou a última do Thom Yorke, coisas que estão em airplay na "Radio Six" da "Bi Bi Ci".

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