Sim. Há uma série de reuniões com Anacom e ERC sobre o assunto. Está tudo alinhado mas os dois grandes privados (donos de 50% de redes nacionais) temem perder o duopolio do mercado rádio que a tecnologia permite.
O duopólio foram os próprios ouvintes que o fizeram, ao dar a preferência maioritária a apenas quatro estações. O estudo é de Audiência Acumulada de Véspera por reconhecimento de marca, não por qualquer mercado comercial ou tecnologia de transmissão. Duas rádios são operadores históricos, a terceira um subproduto vindo de Espanha, e a quarta uma rádio criada como desdobramento do operador histórico.
É tecnicamente possível, com o investimento certo e havendo momento de mercado e quadro regulatório que facilite a iniciativa do operador, que uma rádio a emitir por qualquer outra tecnologia consiga subir a essa liderança das preferências. Aliás, nunca estivemos tão bem posicionados para tal, e cada dia estamos mais.
A primeira verdadeira revolução surgirá quando houver audímetros no meio rádio. A segunda será quando os ouvintes tiverem outros gostos. A culpa não é do FM nisso, é da falta de atratividade do setor, preso a práticas anacrónicas, intermediários que não deviam existir e a lógicas comerciais que ficaram bem lá atrás. E da falta de representatividade no mercado publicitário também, como já neste espaço mencionei.
Muita coisa seria diferente se em vez de 1,8% a fatia fosse apenas 10%. Muita mesmo.
Para que, sem ofenderem ninguém deste fórum, possam tirar as vossas conclusões:
"A garantia foi avançada na tomada de posse dos novos órgãos sociais da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) pelo Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Carlos Abreu Amorim abordou ainda o novo pacote de medidas que o Governo pretende implementar para o setor da comunicação social.":
https://famaradio.tv/videos/testes-do-dab-avancam-em-breve-garante-secretario-de-estado-carlos-abreu-amorim/
Lá está, era uma garantia. Ou seja: era de palavra. Ora, ninguém aqui tem 18 anos, sabemos como a palavra funciona na política.
E tanto que funciona que se veio a verificar que não foi cumprida. Pelo menos, até ver.