Autor Tópico: Rádio em Espanha  (Lida 167109 vezes)

Luisf662

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #705 em: Março 01, 2026, 06:22:29 pm »
Na altura, a parte da monitorização dos emissores era feita salvo erro pela RTP, e apenas perto do início das privadas em 92 se transferiu para uma empresa pública (salvo erro a TLP, mais tarde Portugal Telecom).

As transmissões de TV numa área que comercialmente não interferia nem nunca interferiria com a RTP nem com a medição de audiências nos termos em que era feita, e que de um ponto de vista técnico não causariam nunca o bloqueio da visualização dos canais da RTP, eram essencialmente inofensivas. Mais: sendo Portugal uma jovem democracia e também o sendo a Espanha, tratar destes temas, caso chegasse disto ao país vizinho, podia criar um incidente diplomático que simplesmente ninguém queria, mais a mais tendo que haver harmonização na fronteira.

Isto é diferente dos projetos de várias televisões locais, como a TRL (Televisão Regional de Loures) ou a TIT (Televisão Independente da Trofa), que operavam no mesmo mercado que a RTP.

Por fim, à época, o tema da rádio era muito mais chato e ocupava muito mais recursos (e envolvia muito mais operadores) que apenas a RDP, ou seja, em termos de regulação era muito mais prioritário que dois emissores perdidos numa área extensíssima como o Ribatejo a transmitir algo decente e de bom tom.

Não penso que eram ilegais, penso que seria uma área cinzenta, e muito bem foi aproveitada, como o era a transmissão de satélite até meados dos anos 90 e o início da encriptação, era a mesma lógica. Claro que depois com as mudanças profundas do mercado e da forma de organização, em tudo, deixou de ser viável nos termos em que estava a ser feito.

Hoje, se se quiser canais espanhóis de graça sem TDT, ainda é possível através da IPTV. Tem é que se saber fazer.

Desculpem o offtopic.
Hoje podiam fazer o mesmo com a TDT criando um mux com pelo menos 6 ou 7 canais espanhóis tve1, tve2, Quatro, la6, antena3 e tele5. Mas provavelmente ia sair muito caro retransmitir esses canais via um repetidor de TDT.

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joao_s

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #706 em: Março 01, 2026, 07:21:59 pm »
Então o DAB+,” Luisf662”? Por cá não sabem o que fazer, nem como fazer, uma total desorientação… Qual melhor qualidade de receção, cobertura nacional, sistemas de alerta, o que for, não percebem nada daquilo. Nem este princípio basilar, acesso universal em todo o território. Mas não, preferimos dividir o país entre norte e sul, litoral e interior, nomeadamente, a faixa que media Lisboa ao Porto, onde se concentram todos os esforços. Este esquartejamento territorial é impensável em qualquer país civilizado, nomeadamente, europeu.
Solução: importamos o DAB+ de Espanha.

ruicleto

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #707 em: Março 01, 2026, 09:18:39 pm »
Então o DAB+,” Luisf662”? Por cá não sabem o que fazer, nem como fazer, uma total desorientação… Qual melhor qualidade de receção, cobertura nacional, sistemas de alerta, o que for, não percebem nada daquilo. Nem este princípio basilar, acesso universal em todo o território. Mas não, preferimos dividir o país entre norte e sul, litoral e interior, nomeadamente, a faixa que media Lisboa ao Porto, onde se concentram todos os esforços. Este esquartejamento territorial é impensável em qualquer país civilizado, nomeadamente, europeu.
Solução: importamos o DAB+ de Espanha.

Tenho mesmo pena que Portugal seja um país periférico, quando falamos em relação à restante Europa, pois se estivesse mais central com toda a certeza que receberia algumas emissões digitais de países vizinhos, quer televisão quer rádio...

Yagi

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #708 em: Março 01, 2026, 10:36:25 pm »
Caros “Yagi” e “Radiofilo”,

os retransmissores de Fazendas de Almeirim não eram piratas, retransmitiam na íntegra as emissões das TVE1 e TVE2 como fazem, por analogia, os retransmissores da Observador, SmoothFM, M80, etc., ou seja, ampliavam a cobertura de sinal dos canais do país vizinho para uma área maior. Caso contrário, os espetadores da fronteira também assistiam a emissões piratas, o que não faz o mínimo sentido.

Relativamente ao segundo ponto, tenho sérias dúvidas que fossem ilegais. Não conhecendo de todo a lei e regulamentos que estavam em vigor nesse período, as evidências seguintes permitem concluir que foram aproveitadas brechas, lacunas, omissões nos normativos vigentes nessa época para avançar com a iniciativa:

- Comecei a ver em 1983, já existia nesse ano, não sei quando começou. Então, durante pelo menos 1 década o(s) emissor(es) estiveram operacionais, colocando sinal até às portas de Lisboa e ninguém reparou? Estranho, não acham?
- Era comum em restaurantes, cafés e outros espaços públicos haver televisores com as emissões da TVE. Ninguém se apercebeu que seria pouco provável, a mais de 150 km de Badajoz, próximos de Lisboa, haver de forma tão generalizada o acesso a essas emissões e com receção “limpa”, “otimizada”?
- Os técnicos que montavam antenas, a partir de certo momento, não tiveram mãos a medir para as solicitações. A população sabia onde estavam os emissores, havia a convicção geral que o acesso aos canais aludidos seria “para uma vida”, não se vislumbrava um fim à vista. Portanto, localmente ninguém via esta iniciativa como ilegal.
- Quem percebesse minimamente do assunto, sabia que haviam 3 alternativas na zona para sintonizar os canais portugueses: Lousã – Trevim (noroeste), Monsanto (sudoeste) e Montejunto (oeste, em linha de vista). Então, como seria possível existirem muitas antenas orientadas para este, sem alternativas viáveis de sintonia dos canais portugueses? Outro pormenor subtil, mira técnica a indicar “Montánchez, Canal 9”, sintonizada no canal 21…
- O boom de demandas para a instalação de antenas, dá-se quando nas famílias, os pais se vão apercebendo, através das conversas quotidianas, que estas emissões são um complemento à Educação de casa e à Educação formal da escola, isto, como é evidente, para além do seu próprio interesse.

Portanto, é muito provável que esta situação não estivesse tipificada nos normativos legais, à época, correto?

Bom eu referi que este tipo de emissões eram ilegais porque era o que era reportado na comunicação social da altura. É ilegal (ou pirata) algo que funciona à margem da lei, ou seja sem autorização. Atualmente, para emitir sinais de rádio ou televisão em território nacional é necessária autorização da ANACOM e da ERC. Mas na época acredito que também seria ilegal. Se fecharam os olhos a essa situação e porquê não faço ideia.

Receber rádio ou TV espanhola em Portugal não incorre em nenhuma ilegalidade porque os emissores estão localizados em Espanha. Aliás, recordo-me que chegou a colocar-se a possibilidade de se emitir rádio a partir de Tuí para contornar a lei. Retransmitir uma emissão estrangeira é ilegal porque faz uso do espectro sem autorização.

tuscano332

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #709 em: Março 04, 2026, 05:26:07 pm »
Numa altura em que a Maestrina Joana Carneiro foi nomeada Presidente do Global Teacher Prize Portugal, não deixou de ser curioso ter encontrado este espaço da Rádio Clássica de Espanha, que foi preenchido na totalidade por um concerto em que ela foi a Maestrina. Julgo na altura ter falado disto, mas não pude ouvir, por isso foi bom tê-lo encontrado: https://www.rtve.es/play/audios/programa-de-mano-radio-clasica/altar-bronce-para-pacho-flores-22-01-26/16906149/